novembro 24th, 2006

Volver

Nunca fui fã de Pedro Almodóvar. Dito isso, posso começar a falar sobre Volver (2006), seu mais novo e, para variar, elogiado trabalho. Sempre me incomodou o fato do idolatrado diretor espanhol tratar suas mulheres sem sensualidade alguma e com o eterno papel de “mãezonas”. Já os homens são canalhas ou totalmente sensíveis. Tudo isso sempre com cenários coloridos e muita gritaria.

Ou seja, não consigo levar seus filmes a sério. Então por que o diretor de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) não decide retornar de vez às comédias? Com exceção do ótimo Fale Com Ela (2002) – Isso mesmo! Eu gosto muito de Fale Com Ela -, seus dramas se perdem no meio de tanta cor e com a repetição dos mesmos conceitos que ele tem como verdade do universo feminino. Admiro autores e Almodóvar merece o rótulo, mas não tenho mais paciência para ver sempre a mesma coisa. Se ainda fossem suas comédias…

Almodóvar bate sempre na mesma tecla: ele fala para as mulheres. O cineasta dialoga com as mulheres como elas falam em um local onde só existem… mulheres. Como homem, não sou entendedor da alma feminina, mas sei o que é uma mulher bonita e sensual. E não é ver a bela Penélope Cruz fazendo suas necessidades no banheiro em todos os detalhes.

Minha criação cinematográfica vem dos olhares impactantes de Ingrid Bergman, em Casablanca (1942), ou de Julie Christie, em Dr. Jivago (1965), ou até mesmo o andar de Audrey Hepburn, em Bonequinha de Luxo (1961).

Vendo Almodóvar desta forma, reconhecer (e se emocionar) com a bela história que há por trás de Volver fica difícil. Ainda assim é interessante perceber como o cineasta arranca de Penélope Cruz, que andava perdida em produções americanas esquecíveis, a grande atuação de sua carreira. Por não ser uma obra do calibre de Fale Com Ela, Volver deve agradar somente aos fãs do cineasta.

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