fevereiro 4th, 2007

À Procura da Felicidade

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006) é um filme difícil de odiar e fácil de amar. É uma daquelas raras produções com capacidade para levar gente que nem vai tanto ao cinema para a sala escura mais próxima de casa. Mesmo na era da Internet, esse tem tudo para ser aquele filme que as pessoas comentam e divulgam no escritório ou na escola: “Nossa! Você viu? Tem que ver! Dá vontade de chorar!” e por aí vai…

E sim! À Procura da Felicidade é filme para chorar. E muito! Não que o bom diretor italiano Gabriele Muccino, de L’Ultimo Bacio (2001), carregue na pieguice, mas é quase impossível não sofrer junto com as desgraças na vida de Chris Gardner (um grande momento de Will Smith, indicado ao Oscar de Melhor Ator). E põe desgraça nisso! Se as coisas podem piorar, elas realmente acontecem nessa história.

Em plena era Reagan, de nada adiantou para Chris Gardner ser inteligentíssimo na escola, afinal ele não consegue um emprego fixo e vive como um pobre coitado afundado em dívidas. Gardner apostou tudo nas vendas de um scanner de ossos, mas ao bater de hospital em hospital, ele descobre que os médicos não compartilham de seu entusiasmo com o produto. Sua única alegria e motivação é o filho de cinco anos (Jaden Christopher Syre Smith, filho do próprio ator). Por ele, Chris Gardner jamais desiste de lutar por uma condição melhor, apesar de lidar diariamente com a esposa insatisfeita (e ingrata, vai). Como disse, tudo vai mal, mas as coisas conseguem piorar ainda mais.

Há uma sucessão incrível de desilusões em sua vida – chega até a dar raiva certa hora (eu me contorcia na cadeira do cinema), mas o diretor Gabriele Muccino nasceu para fazer um dramalhão. A música do filme é bem bonita, mas ele não se aproveita dela para fazer o público se emocionar – é um mérito do diretor como contador de histórias. É tudo muito sincero: você sente na pele o que acontece com Chris Gardner e seu filho. A emoção vem do sofrimento intenso e cruel sem apelações.
O mais impressionante é o filme ser baseado em uma história real. Sabendo disso, podemos até dizer que dinheiro não traz felicidade, mas graças ao carisma de Will Smith, ao belo roteiro de Steve Conrad e a direção de Muccino somos levados a crer que ninguém merece mais uma boa grana do que esse Chris Gardner. É o poder do cinema. Em tempos menos cínicos, esse seria um grande favorito ao Oscar. Concordando ou não com a Academia.

Pode não ser um filme perfeito, mas À Procura da Felicidade agrada por reviver um tipo de drama competente que se fazia nos anos 70 (ou na virada dos 80), como o de tema semelhante, mas não igual, Kramer Vs. Kramer (1979). Há até um certo diálogo com Capra ou a loucura de Roberto Benigni em A Vida é Bela (1998) – quando um pai tenta amenizar a terrível realidade ao seu filho. Mas são apenas lembranças de filmes que conhecemos e gostamos. À Procura da Felicidade segue com identidade própria e difere desses títulos ao carregar na tristeza e na amargura. Ficamos até o final pensando: “Será que vai acontecer algo de bom na vida deles?”. Pode levar a caixa de lenços para o cinema.

À Procura da Felicidade
(The Pursuit of Happyness, 2006)
Direção: Gabriele Muccino
Elenco: Will Smith, Jaden Christopher Syre Smith, Thandie Newton e Brian Howe

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