março 30th, 2007

300

Adaptado da graphic novel de Frank Miller, 300 (2007), o filme de Zack Snyder (de Madrugada dos Mortos) que está dando o que falar, é bom para a cabeça, mas não para o coração.

Uma vez, li que alguns críticos consideram Amadeus, de Milos Forman, um filme sobre Mozart para roqueiros. Então 300 só pode ser um épico para metaleiros. Ou para quem adora passar horas jogando videogame. Ou para um eterno menino que adorava brincadeiras estúpidas com seus coleguinhas. De uma beleza visual absurda, 300 realmente empolga e deixa quem tem o perfil acima louco para berrar no cinema junto com o Rei Leônidas (o ator escocês Gerard Butler, que finalmente encontra seu lugar no Olimpo) e acertar a cabeça de quem esteja ridicularizando o filme.

Como não li a obra de Frank Miller, fontes me garantem que está tudo ali na tela, mas onde está a visão de Zack Snyder como cineasta? Em cada cena, lembramos de um filme semelhante. Além dos movimentos dos guerreiros espartanos lembrarem Matrix, existem momentos de Coração Valente, e principalmente Gladiador e O Senhor dos Anéis. Talvez se 300 tivesse acontecido antes da monumental trilogia de Peter Jackson, o filme de Zack Snyder seria merecedor dos rótulos de “revolucionário” como alguns exaltados pregaram. Lógico que isso é um exagero. Inclusive, a mesma técnica foi empregada em Sin City.

Mas nas primeiras cenas, já sabemos qual é o tipo de filme em que 300 se encaixa. É pegar ou largar. Snyder não engana ninguém. É um festival de berros, sangue e testosterona – o que é muito bom para a cabeça. Mas falta alma ou coração ao diretor. Embora domine muito bem as técnicas do cinema atual, Snyder entrega um filme tão violento quanto Apocalypto, de Mel Gibson, mas não acrescenta nada ao que já vimos antes. A sensação de déjà vu é inevitável e a pergunta surge: Enfim, o que é cinema?

Sobra espetáculo visual, mas falta um compromisso dramático com a tragédia evidente do exército espartano. Embora não tenha uma montagem de videoclipe, 300 respeita os fatos históricos, insere alguns monstros (!) e segue uma narrativa clássica. Temos 10% de cenas dedicadas à construção da história, enquanto os outros 90% partem para a ignorância e dá-lhe Leônidas! Há alguma desculpa para tanto exibicionismo? Quem pensou somente em “quadrinhos”, errou. O filme é narrado por um soldado espartano e seu entusiasmo pelo ato heróico do exército de Leônidas contra os persas justifica os exageros. Esperto esse Zack Snyder.

Ah! Rodrigo Santoro… ele está lá. É o Rei Xerxes, que se leva muito a sério como divindade. Para isso, Zack Snyder deixou o ator mais alto e turbinou sua voz à la Darth Vader. Ele não é necessariamente um vilão. Depende do seu ponto de vista. Bom para Santoro, que entra pela porta da frente de Hollywood com todo o sucesso do filme.

Alguns críticos acusaram uma certa apologia à guerra em 300 – de que tudo pode ser resolvido no tapa ou na ponta da lança. Insistem em citar os feitos de Bush, que ignorou as decisões da ONU e o apelo de outros países ao invadir o Iraque. Ora essa! Os espartanos eram educados para guerrear desde meninos. Isso é História! Por que eles não dizem isso ao Leônidas de Gerard Butler, que existiu muito antes de Bush? E 300 é para a massa, principalmente a adolescente. Quem se importa com isso? É como andar numa montanha russa bacana. É legal, você sai totalmente alucinado, mas esquece em pouco tempo. Se isso também é cinema, 300 é o filme certo.

300 (2007)
Direção: Zack Snyder
Elenco: Gerard Butler, Rodrigo Santoro, Lena Headey e David Wenham

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