março 7th, 2007

Frank Miller Comenta Adaptação de "300"

Ele é o responsável por uma revolução no mundo dos quadrinhos. Ou, como gostam de dizer, Frank Miller é o mestre das graphic novels. Seu nome estampa as capas de clássicos reverenciados como Batman – The Dark Knight Returns e de outra loucura que virou filme: Sin City.

Miller é a nova mina de ouro de Hollywood? Ou a nova cobaia? No próximo dia 30 de março, poderemos conferir a adaptação de sua (considerada) obra-prima: 300.
Com direção de Zack Snyder, de Madrugada dos Mortos (2004), o filme narra a histórica Batalha das Termópilas, cerca de 480 a.c. Nela, 300 espartanos resistiram bravamente contra os poderosos persas do Rei Xerxes I (Rodrigo Santoro). Abaixo, uma pequena transcrição da parte mais interessante da entrevista de Frank Miller para a revista Entertainment Weekly, na qual o autor comenta 300 e a versão cinematográfica.

O que há de tão fascinante sobre a Batalha das Termópilas?
As culturas mais estudadas da História trazem essas pequenas pérolas de guerra. Foi assim no assalto ao forte do Álamo ou na batalha dos 47 samurais, ou seja, são contos sobre um grupo de homens em número inferior triunfando perante um enorme exército inimigo. Mesmo que de forma moral. É a saga corajosa de um grupo, mas também de cada um destes homens.

Como foi transformar 300 em filme?
Eu só posso falar sobre o meu ponto de vista. Eu ainda nem estava envolvido com a versão de Sin City para o cinema e os filmes jamais sairiam sem a minha aprovação. Na verdade, eu era um tanto cético a respeito dessas adaptações cinematográficas. Havia um certo medo de que meus “filhos” se tornassem “filminhos” com finais felizes. E final feliz não é minha especialidade.

E como você cedeu?
Bom, eu conheci Zack Snyder. Conversamos mais ou menos por uma hora. Descobri que somos muito parecidos e ele entendeu cada referência histórica em 300, além de contribuir com ótimas sugestões. Ele é um especialista sobre a Batalha das Termópilas e, assim como eu, admira Victor Davis Hanson (historiador americano e autoridade mundial em história militar e agrária). Eu só pude dizer “sim” a ele.

Qual foi o seu envolvimento com a produção?
Ganhei o título de “Produtor Executivo” e tive a palavra final sobre o roteiro. Mas depois de muitas conversas com Zack, percebi que ele fazia um bom trabalho e que o filme deveria ser somente dele. Naquele momento, eu partia para a co-direção de Sin City e entendi que Zack precisava de liberdade em 300. Dali em diante, eu visitei o set uma vez, quando filmavam uma gigantesca cena de batalha. Essa é a diferença entre 300 e Sin City. 300 é um filme de Zack Snyder.

O filme é fiel à obra original, mas aumenta o papel da Rainha Gorgo. O que você achou disso?
Primeiramente, eu discordei. Achava que deveria ser um filme para meninos. Em termos históricos, Gorgo (Lena Headey) não esteve muito envolvida. Mas Zack tinha suas razões. Ele quis mostrar que o Rei Leônidas (Gerard Butler) lutou por alguém, o que deu ao personagem contornos românticos e um elo maior com Esparta.

Você abordou os espartanos como idealistas. Essa visão está próxima dos fatos históricos?
Os espartanos eram contraditórios. Um povo bruto e, ao mesmo tempo, esclarecido. Tinham o maior número de escravos da Grécia, mas também davam direitos às mulheres em um nível pouco comum para a época. Esses homens confiavam numa ética de guerra e foram os melhores lutadores de toda a Grécia. Mas eu jamais quis retratar os espartanos tão cruéis como eles foram na realidade. O público precisa torcer por eles. Em 300, os espartanos são tão cruéis quanto o público pode suportar.

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