março 28th, 2007

Louco e Visionário

Para quem acha que o cinema não sabe mais fazer ficção científica, a espera por 2009 será angustiante. Todo mundo já sabe que James Cameron está desenvolvendo o misterioso Avatar com extrema paciência para que seu filme chegue às telas exatamente como sonhou.

O diretor de Titanic escreveu 80 páginas do roteiro de Avatar em 1996, mas teimou em esperar pelo avanço tecnológico para voltar ao filme. Graças aos resultados recentes da Weta, do colega Peter Jackson, com o Gollum, de O Senhor dos Anéis, e o gorila, de King Kong, Cameron embarcou em mais um projeto gigantesco. Avatar será rodado diante do chroma key, como Sin City e 300, e mais tarde ganhará retoques por computador. Isso não é tudo: além de usar uma câmera nova, ele planeja lançar Avatar em cerca de 1500 salas com projeção digital em 3-D. Será que podemos sonhar em assisti-lo nesse formato aqui no Brasil?

O anúncio de que James Cameron retornaria com um ambicioso projeto de ficção científica agitou os fãs do gênero (e do cineasta). “Ótimo! Eu sabia que ainda havia cinco ou seis fãs espalhados por aí. Na verdade, eu voltei a trabalhar em meados de 2005. Sinto que esse filme representa algo comparado ao Projeto Manhattan e, agora, isso se tornou público.”, revelou Cameron em entrevista para a Entertainment Weekly. Logicamente, a comparação de Avatar a famosa bomba foi no bom sentido.

Perto do que Cameron prepara em termos de tecnologia, o enredo de Avatar ainda pouco importa: Jake (Sam Worthington) é um veterano de guerra paraplégico. Ele é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelos Navi, uma raça humanóide com sua própria língua e cultura. Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Peter Mensah, Joel David Moore, C.C.H. Pounder e Laz Alonso são outros nomes confirmados para o elenco. As filmagens começam em abril.

Hollywood esqueceu a ficção científica como arte?

James Cameron é o cara que fez O Exterminador do Futuro, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, Aliens – O Resgate e O Segredo do Abismo. É um craque em ficção científica. Será que chegou a hora de lavar a alma dos fãs do gênero? Matrix decepcionou, Star Wars é fantasia (não necessariamente ficção científica), e só Steven Spielberg soube utilizar os recursos de nossa época para lançar ótimos exemplares como A.I., Minority Report e Guerra dos Mundos – ele ainda promete outra incursão pelo gênero em 2009: Interestellar.

Mas é pouco se fizermos uma comparação à criatividade dos anos 30, 40 e 50, quando o cinema se arriscava mais pelo gênero. Hollywood usava e abusava da tecnologia de cada época (e sem vergonha) para lançar pérolas como O Dia em que a Terra Parou. Desde Blade Runner, o gênero tem se saído bem melhor com produções menores (ou mais modestas), mas com roteiros criativos como o excelente Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón.

O que acontece com essa década? Parece que só James Cameron entendeu o que Peter Jackson fez em O Senhor dos Anéis e não tentou imitá-lo. Chega de épicos romanos, gregos ou fantasias com cenas que trazem mais do mesmo! Um dos problemas de Hollywood é a tendência – se deu certo, os estúdios fazem outros mil. Por exemplo, o recente 300 pode ser muito bem feito, mas não tem nada de revolucionário como alguns disseram. Em várias cenas do filme de Zack Snyder, a sensação de déjà vu vem à mente e lembramos de O Senhor dos Anéis ou Gladiador. Existem outros gêneros para explorar a tecnologia.

Não estou pedindo outro 2001 – Uma Odisséia no Espaço, claro. Mas Hollywood poderia tentar se aproximar do que Ridley Scott fez em Blade Runner. E para isso, não significa adaptar todos os contos de Philip K. Dick. Como disse, o problema é a tendência.

Posts