março 15th, 2007

Maria Antonieta


Por Flavia Costa (Especial para HOLLYWOODIANO)

Maria Antonieta, a última rainha da França, entrou para a história como símbolo da decadência da monarquia francesa. Seu nome é associado à futilidade, frivolidade, devassidão, desrespeito ao povo… e à célebre frase sobre os brioches (que ela nunca disse). Talvez tenha sido a mulher mais incompreendida da História, difamada pela ira do povo francês, que projetou nela todo o descontentamento com o sistema vigente.

O grande mérito de Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006), novo filme de Sofia Coppola, é humanizar um personagem tão controverso, mostrando um retrato introspectivo de uma menina oprimida pelo mundo em que vive. “Não me interessava fazer um drama histórico. Eu queria ver a garota atrás do mito e dos clichês”, revela a diretora. Pode parecer chato para alguns, mas o resultado é um filme de alma feminina e adolescente, com estética pop e trilha sonora moderninha.

Aos 14 anos, Maria Antonieta (Kirsten Dunst) deixa a Áustria para se casar com o príncipe francês Luis XVI (Jason Schwartzman). Na corte de Versalhes, ela tem que lidar com o desinteresse do marido, as cobranças da mãe, a pressão por um herdeiro, as rígidas regras de etiqueta, as disputas familiares, as fofocas, a solidão.

Cansada de tentar agradar, ela cria seu próprio universo, refugiando-se em festas, roupas, sapatos, penteados e champagne. Esse momento de ruptura é marcado pela trilha sonora indie, com Gang of Four, New Order, Strokes, Siouxsie and The Banshees. É um recurso interessante, que dá charme ao filme e, somado à bela fotografia, rende cenas esteticamente irretocáveis.

Mas da metade em diante, as passagens de tempo entre os acontecimentos acabam perdendo ligação e o filme perde um pouco da unidade. Parece que Sofia quis dar seqüência ao clima de Encontros e Desencontros (2003) em Versalhes. É Lost in Translation de novo. Se explorar a rotina de personagens perdidos em um mundo cultural e social totalmente diferente funciona na cultuada produção com Bill Murray e Scarlett Johansson, isso não quer dizer que a fórmula tem que ser seguida em todos os trabalhos da diretora. Também senti falta de ver mais da rainha amadurecida, que enfrentou com dignidade a ira da revolução, mas não se pode ter tudo.

O filme não é perfeito, mas certamente não mereceu as vaias que recebeu no Festival de Cannes. Mas o que se podia esperar de uma platéia francesa diante de um filme americano sobre uma personagem de sua História?

Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006)
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Judy Davis, Rip Torn, Asia Argento, Molly Shannon, Danny Huston e Marianne Faithfull

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