abril 16th, 2007

A batalha das bilheterias

Como Hollywood não muda, o que interessa de maio até meados de agosto é o resultado das bilheterias do verão norte-americano. Com o inesperado sucesso de 300 como aperitivo, que arrecadou US$ 201 milhões até o momento, a indústria e a imprensa colocam ainda mais responsabilidade nos filmes que realmente carregam o peso de faturar alto.

Homem-Aranha 3 é o primeiro a chegar. O crítico Luiz Carlos Merten (do jornal O Estado de S. Paulo) assistiu ao filme em Tóquio e adorou o resultado. Disse que o diretor Sam Raimi fecha um ciclo perfeito na saga do aracnídeo e que não há necessidade de uma quarta parte. O filme estréia dia 4 de maio em todo o mundo. Em sua cola, no dia 25 de maio, vem o grande rival na batalha pela bilheteria: Piratas do Caribe – No Fim do Mundo.

Com as novas aventuras de Shrek e Harry Potter chegando logo depois, Hollywood pode ter a temporada de verão mais rentável dos últimos anos. Digo isso porque são franquias que figuram entre as maiores da História. Olhando para os resultados dos últimos filmes de cada uma, vejam só: Shrek 2 ocupa a terceira posição (US$ 436 milhões), Piratas do Caribe – O Baú da Morte está em sexto (US$ 423 milhões), e Homem-Aranha 2 em décimo (US$ 373 milhões) – ou seja, esperamos seqüências de três dos dez filmes mais bem-sucedidos nos cinemas norte-americanos. Só Harry Potter e o Cálice de Fogo que segura a 26ª posição, mas trata-se de uma franquia bilionária. Outras produções correm por fora, como Transformers e Duro de Matar 4.0, mas também lutam por seus públicos. Quero dizer que são dois filmes que devem faturar bastante, mas não carregam o sucesso garantido do quarteto acima.

Corro riscos em afirmar isso, bem sei, mas acho que a briga feia vai ficar entre Homem-Aranha 3 e Piratas do Caribe – No Fim do Mundo. Ambos prometem ser os capítulos finais de suas “trilogias” (coloco aspas porque tudo pode acontecer em Hollywood) e, no caso de Piratas, o filme anterior rompeu a marca de US$ 1 bilhão, em 2006, o que igualou o feito raríssimo de Titanic e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

Aliás, o verão passado representou um suspiro de alívio nos cofres da indústria. Depois de três anos consecutivos em queda, o público de cinema nos EUA cresceu 3,3% em 2006. A arrecadação internacional dos filmes de Hollywood aumentou 14,4%. Em outras palavras, essa temporada pode significar muita coisa. 2006 foi apenas uma raridade? Ou Hollywood volta mesmo a crescer? Para quem torce o nariz aos cifrões, cito um pensamento de George Lucas antes do lançamento de Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma, em 1999. De acordo com o cineasta, o bom retorno financeiro dos blockbusters permite à indústria fazer mais blockbusters. Mas também, os estúdios têm mais dinheiro para filmar produções de orçamentos modestos. Ou seja, mais filmes. O que é sempre bom. Além disso, surgem mais salas de cinema.

Sem falar no combate à pirataria e o conforto do DVD, esses são os filmes que podem tirar o grande público de casa – lógico que estou falando da realidade norte-americana. No caso do Brasil, existem aproximadamente 2.100 salas de cinema, em menos de 400 municípios, segundo a Agência Nacional do Cinema. SP e Rio possuem quase 50% dessas salas. Mesmo assim, os cinemas estão cada vez mais às moscas no país – a causa para a redução absurda do número de ingressos vendidos no Brasil é assunto para um próximo post.

Na enquete feita pelo blog na semana passada, Piratas do Caribe – No Fim do Mundo foi eleito como o filme do verão norte-americano mais esperado pelo leitor com 36% dos votos. Logo atrás, Homem-Aranha 3 com 29%, seguido de perto por Harry Potter e a Ordem da Fênix com 27%. Shrek Terceiro (5%) e Transformers (3%) ficaram na lanterna. Obviamente, a enquete não dita necessariamente a opinião desenvolvida neste texto. Na verdade, esse é o resultado de quase todas as pesquisas dos principais veículos de entretenimento. Então, prepare-se. Maio está chegando.

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