abril 23rd, 2007

A polêmica da meia-entrada

A queda absurda na quantidade de público nos cinemas brasileiros durante os últimos anos é um fato mais do que comprovado. O problema não está somente na pirataria, mas no alto preço dos ingressos (algumas redes em São Paulo chegam a cobrar de R$ 14,00 a R4 21,00). Exibidores se defendem alegando que os cinemas são imóveis com aluguéis caros, mas ideais para garantir conforto ao consumidor. Para complicar a situação, há um movimento sério para acabar com a meia-entrada aos estudantes. É claro que há muita carteirinha falsa, mas cortar um documento, que incentiva a participação do jovem em eventos culturais merece atenção dobrada – a parcela de estudantes realmente interessada em utilizar a carteirinha verdadeira não pode ser prejudicada.

A saída momentânea veio do próprio Sindicato dos Exibidores, que ao organizar o projeto São Paulo no Cinema proporcionou ao público entradas por apenas R$ 3,00 durante os dias 15, 16 e 17 de abril. Outra medida (que irritou muita gente) já foi adotada por alguns cinemas do país: as bilheterias exigem apresentação de documentos de identidade (e outros comprovantes), além da carteirinha de estudante. Ou seja, cortá-la ainda é um exagero, pois 70% da bilheteria atual responde pela meia-entrada.

Em entrevista ao site G1, Luiz Gonzaga De Luca, executivo da rede de cinemas Kinoplex (que cobra até R$ 20,00 por ingresso em suas salas no bairro do Itaim) e vice-presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec) afirmou: “A meia-entrada é uma agressão”. Seu objetivo é limitar a venda de ingressos com o desconto a 30% do total de cada sessão. “O Estado não exige que as lanchonetes vendam sanduíches por metade do preço a estudantes. Por que exigir isso das salas de cinema?”, pergunta De Luca, lembrando sua posição de exibidor: “Somos comerciantes como quaisquer outros.”

Ainda assim, De Luca reconheceu que os preços altos dos ingressos prejudicam o próprio setor, e além de ajustarem os preços por causa da alta freqüência de pessoas que pagam meia-entrada, algumas salas cobram ingressos mais caros porque oferecem “serviços luxuosos”. Ele revelou que os empresários do setor pretendem levar ao governo um pedido de reavaliação das leis municipais e estaduais que instituem a meia-entrada. A notícia vem depois de a Feneec lançar uma campanha nacional contra o uso de carteiras de estudante fraudulentas. Agora, a federação passa a defender a limitação de assentos a serem ocupados por estudantes nas salas – medida semelhante utilizada em grandes shows (ou peças) na cidade.

Para o presidente da União dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, a limitação desse benefício prejudicaria muitos estudantes, que “realmente só têm acesso à programação cultural porque pagam meia”. Petta acrescenta: “Isso também teria um impacto econômico negativo para as salas de cinema, que perderiam muito público, afinal, os jovens são responsáveis pela maior fatia da platéia que vai ao cinema”.


Bom, que tal acabar com a carteirinha, mas reduzir pela metade os preços de cinemas, teatros, shows, locações de DVDs e… lanches do McDonald’s?

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