abril 10th, 2007

A Via Crucis de Jack Bauer

Depois que Jack Bauer (Kiefer Sutherland) foi capturado por agentes chineses no final da quinta (e melhor) temporada de 24 Horas, os fãs não pararam de especular o que aconteceria a seguir. Apesar de vários boatos, incluindo uma temporada que seria baseada em uma tentativa de resgate em pleno território chinês, os produtores (incluindo Sutherland) e roteiristas optaram por não mexer em um time vitorioso.

Em cartaz na Fox, a sexta temporada começa com um governo norte-americano impotente devido aos diversos ataques de homens-bomba nas principais capitais dos EUA. O caos já dura 11 semanas e a Unidade Anti-Terrorismo (CTU) localiza um terrorista desertor, que pretende entregar o líder da facção sob uma condição: ele quer a cabeça de Jack Bauer, que deve ter aprontado algo no passado para merecer isso. Embora o governo não tenha feito absolutamente nada para resgatar um herói como Bauer, o Presidente Wayne Palmer (DB Woodside), enfim, negocia a liberdade do ex-agente com os chineses. Quem conhece 24 Horas, sabe que Jack Bauer daria sua vida pelos EUA sem problema algum, mas também imagina que isso é assunto somente para os primeiros episódios. As inevitáveis reviravoltas no roteiro são marcas registradas da série iniciada em 2001, em pleno trauma do 11 de setembro.

Naquele ano, os criadores Joel Surnow e Robert Cochran criaram um novo formato para o significado de “ação”: 24 episódios e cada um com uma hora de duração. Com a tragédia das torres gêmeas, o próprio Kiefer Sutherland achou que os norte-americanos não abraçariam a série. Mas a edição ágil e a tensão crescente a cada minuto, com a literal batida do relógio digital na tela, ganharam ares revolucionários para a TV. Mesmo assim, a trama não seria tão eletrizante se os episódios não aproveitassem o tempo real e reviravoltas surpreendentes no final de cada hora. O ritmo alucinante e o recurso de deixar os fãs esperando por respostas influenciaram séries de sucesso como Lost, Prison Break e Heroes.

O mais incrível é o fôlego de 24 Horas para continuar empolgando depois de cinco temporadas. Essa é a minha série favorita e jamais vi uma produção hollywoodiana tão corajosa (seja no cinema ou na TV) ao abordar a política norte-americana. Existe outra polêmica em torno de 24 Horas: como há pouco tempo para resolver os problemas, a intolerância move Jack Bauer – ele é capaz de torturar e matar terroristas ou colegas de trabalho em busca de soluções.

HOLLYWOODIANO assistiu aos primeiros episódios da sexta temporada e pode-se adiantar que a coisa esquenta logo nas quatro horas iniciais, incluindo uma ousada explosão nuclear em Los Angeles. Os roteiristas acertaram, principalmente, ao explorar o estado psicológico de um Jack Bauer traumatizado por causa de quase dois anos de tortura em uma prisão chinesa.

Infelizmente, o ritmo cai na seqüência e esse elemento é esquecido. Aliás, trata-se de uma queda inédita de criatividade na série. Falta uma ligação dramática de Bauer com alguma causa ou com um parente ou amigo – ele nunca se preocupou somente com o país. Ele parece um “zumbi” a caminho da morte certa ou de uma redenção. Kiefer Sutherland já revelou que o “tempo real” é o protagonista de 24 Horas, e não Jack Bauer. Não concordo. A tentativa de provar essa teoria ao deixar Bauer de lado em alguns episódios da sexta temporada está prejudicando a agilidade habitual da série. Nada que não possa ser resolvido nos próximos episódios, afinal o astro tem contrato assinado para mais duas temporadas. Esse ainda não pode ser o fim de Jack Bauer.

Abaixo, o trailer da nova temporada:

24 Horas – 6ª Temporada
Todas as terças, às 22h, na Fox

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