abril 4th, 2007

Fernando Meirelles e o papel da crítica

Ontem no programa Irritando Fernanda Young, do GNT, a apresentadora entrevistou o cineasta Fernando Meirelles. Pensei o dia inteiro em algo que ele disse: o diretor revelou não gostar de críticos que apontam “erros” em seus filmes.
Para Fernando, um diretor passa de um a três anos trabalhando em uma produção, enquanto um crítico parece saber tudo sobre um filme depois de apenas duas horas de exibição. Ele admitiu seus descontentamento com observações da crítica como “faltou um pouco disso“, “poderia ter 20 minutos a menos” ou “o final decepciona”. Coisas assim.
Ele não deixa de ter razão, mas sempre vi a crítica (ao menos deste blog) como um ponto de vista. É somente uma opinião. Nunca tive a pretensão de estar certo sobre um filme, afinal não sou dono da verdade. É mais fácil o Fernando Meirelles entender mais sobre um de seus filmes do que eu. Gostaria de pensar que a crítica em geral está lá para dar uma opinião a quem ainda não viu algum filme. Acho que essas resenhas deveriam ser sempre pessoais, porque defendo que a arte não atinge duas mentes (ou dois corações) da mesma forma. Mas infelizmente, também sei que alguns profissionais realmente se consideram donos da verdade.
Certa vez, Steven Spielberg disse algo assim: “Como um crítico pode saber tudo sobre um filme assistindo-o apenas uma vez?”. Por seu conhecimento, Martin Scorsese já foi questionado se um dia seria crítico de cinema, após encerrar sua carreira por trás das câmeras. A resposta? “Eu nunca seria um crítico. Gosto muito de cinema para isso”. São opiniões, como as críticas deveriam ser. Nada mais.
No momento, Fernando Meirelles trabalha em Blindness.Trata-se da adaptação do romance Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Responsável pelos ótimos Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, Fernando ainda não tem motivos para ficar chateado com este blog, que confia em suas decisões cinematográficas. Mas como ninguém é perfeito e cada um tem sua opinião…

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