abril 20th, 2007

Hannibal – A Origem do Mal

Dirigido por Peter Webber, de Moça Com Brinco de Pérola, e com roteiro de Thomas Harris, Hannibal – A Origem do Mal (Hannibal Rising, 2007) observa os primeiros passos do canibal mais prestigiado do cinema.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o pequeno Hannibal Lecter (Aaron Thomas) e sua irmã mais nova, Mischa (Helena Lia Tachovska), sofrem com a morte dos pais em uma Lituânia devastada pela ocupação nazista. Quando Mischa é brutalmente assassinada por uma tropa de Hitler adepta do canibalismo, Hannibal consegue escapar, mas essa trágica experiência mudará sua vida para sempre.

Oito anos mais tarde, em Paris, Hannibal (Gaspard Ulliel) vai morar com a bela tia, Lady Murasaki (a chinesa Gong Li em mais um papel de japonesa, como em Memórias de uma Gueixa). Apesar de ingressar na faculdade de medicina e ter toda a mordomia do mundo aos seus pés, Hannibal Lecter está preocupado mesmo é em se vingar dos algozes de sua família.

Não! Esse não é Charles Bronson, em Desejo de Matar, mas o Hannibal Lecter, que conhecemos em O Silêncio dos Inocentes. Antes de comer seu primeiro prato, o jovem canibal ainda aprende a manusear uma espada de samurai com a ajuda da tia (em momento Kill Bill) e protagoniza outras situações constrangedoras, que em nada acrescentam ao personagem imortalizado por Sir Anthony Hopkins. Pior: Só faz vergonha. O que houve com a inteligência e a classe do Dr. Lecter, que atraia até o mais aterrorizado dos espectadores? O fascinante canibal termina reduzido a um sujeito ávido por vingança? É só isso?

Até que o ator Gaspard Ulliel se esforça, mas se a saga tivesse começado com este filme, Hannibal Lecter jamais seria lembrado. Sua atuação não chega a ser uma imitação, mas nem se aproxima da qualidade do trabalho de Hopkins. O pior é que o novo filme está mais para o escatológico Hannibal, de Ridley Scott, do que para o excelente horror psicológico de O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme. Quer mais? O filme de Ridley Scott pode ser um equívoco, mas consegue ser melhor do que Hannibal – A Origem do Mal. Ao menos, trazia uma ou duas cenas que, para o bem ou para o mal, ficavam na cabeça do público. Melhor passar na locadora e alugar o DVD de O Silêncio dos Inocentes.


E não quero nem entrar na discussão sobre o filme original ser inesquecível pelo relacionamento entre Clarice Starling (Jodie Foster) e Lecter (Hopkins). Tanto Thomas Harris quanto Hollywood estavam mais preocupados em desenvolver o mito do canibal. O contraponto perfeito ao monstruoso Dr. Lecter sempre foi a personagem tão bem interpretada por Jodie Foster. Infelizmente, isso se perdeu.

Por si só, Hannibal – A Origem do Mal não se justifica, e comparado aos demais filmes da série é um desastre completo. Peter Webber não contribuiu para aumentar (ou sustentar) a idolatria ao personagem. Ele não é um especialista em prequels, como Christopher Nolan, que salvou o Homem-Morcego, em Batman Begins, ou George Lucas, que encantou novamente com os três recentes episódios de Star Wars. Lamentável. E deixem o Dr. Lecter descansar em paz.

Hannibal – A Origem do Mal (Hannibal Rising, 2007)

Direção: Peter Webber
Elenco: Gaspard Ulliel, Gong Li, Helena Lia Tachovska e Rhys Ifans

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