abril 26th, 2007

O maior vilão do cinema

Especial 30 Anos de Star Wars

Darth Vader é quase uma resposta unânime entre os cinéfilos quando surge a pergunta: “Qual é o maior vilão da história do cinema?”. Por muito tempo, George Lucas manteve um delicioso mistério sobre o homem por trás da máscara. Os fãs de Star Wars adoravam discutir o que teria levado o Jedi Anakin Skywalker a trair os amigos e abraçar o poder do Lado Negro da Força – peço desculpas, mas não consigo dizer ou escrever “Lado Sombrio”, afinal essa não era a tradução na minha época.

Em Guerra nas Estrelas (ou Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança), sabia-se que Vader exterminou os cavaleiros Jedi. Seu ex-mestre, Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness) sobreviveu. No filme, ele se reencontra com Vader e morre durante um duelo travado com muito respeito entre os dois. Aos poucos, George revelou na tela a sua inspiração em Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos e mais profundos intérpretes da mitologia universal. Em O Império Contra-Ataca, George escancarou a verdadeira face de Star Wars. Não se tratava de uma simples aventura entre o bem e o mal, mas de mitologia. Para Campbell, “O vilão Darth Vader representa uma figura arquetípica. Ele é um monstro porque não desenvolveu a própria humanidade. Quando ele retira a sua máscara, o que vemos é um rosto informe, de alguém que não se desenvolveu como indivíduo humano. Ele é um robô. É um burocrata, vive não nos seus próprios termos, mas nos termos de um sistema imposto”.

O mestre de Vader, o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), sabia que Luke Skywalker (Mark Hamill), o jovem aprendiz de Jedi deveria ser destruído ou, melhor, convertido ao Lado Negro. Em uma das revelações mais impactantes do cinema, Vader confessa a Luke que é seu pai. Mas por que? Ainda havia uma fagulha do velho Anakin escondida naquele traje negro? Ou Vader queria mesmo se unir a Luke para destruir o Imperador e dar seqüência a sua eterna ambição por poder? O momento assustou os fãs e transbordou mitologia na velha história do filho que destronaria o pai – como Zeus fez com Cronos, por exemplo.

Mas antes da confissão, Vader decepa a mão do próprio filho em um duelo impiedoso. Ele pode personificar o mal, mas os filhos também representam a redenção dos pais. Luke faz de tudo para que Vader volte a ser Anakin Skywalker em O Retorno de Jedi. Em 1999, George lançou A Ameaça Fantasma, o Episódio I. Não era mais a saga do herói, mas a do vilão. Sabíamos que Anakin era um homem bom, antes de se tornar o desfigurado Darth Vader. Mas ali começava a jornada do jovem aprendiz de Jedi (função que ganhou o nome de Padawan) rumo ao Lado Negro da Força, quando ele seria mais máquina do que humano e dono de uma respiração ininterrupta de gelar o sangue. Ali a imaginação de milhares de fãs sucumbiu à única versão de George Lucas para esse fato. Para o cineasta realmente é difícil agradar a todos os fãs de uma saga que virou domínio público. A tal Guerra nas Estrelas não foi somente um confronto entre dois lados definidos, mas principalmente a extensão de uma discordância política. Como esperávamos, Anakin é vencido por desejos de ganância e a busca pelo poder supremo. Mas o principal passo para o mal foi dado por causa do medo de perder quem ele ama. Coisas que acontecem no dia-a-dia. É uma pena que alguns conheçam a figura de Darth Vader somente pelos episódios I, II e III.

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