abril 5th, 2007

Robert De Niro – Ator, Psicopata, Monstro

Houve uma geração de atores de verdade – não esses caras que, antes de qualquer demonstração de talento, posam de galãs. Nos anos 70, Hollywood tinha outra cabeça e um bando de sujeitos feios como Jack Nicholson, Dustin Hoffman e Al Pacino mostraram como se constrói uma carreira de respeito dentro da indústria cinematográfica. Eles davam vida a personagens próximos de nossa realidade. Gente normal, que muitas vezes enlouquecia com o caos urbano e as dificuldades da vida.

Neste caso, ninguém foi tão psicopata no cinema quanto Robert De Niro - doido de pedra, mas sempre um marginal comum, vítima da sociedade. Dirigido por Martin Scorsese, De Niro virou ícone pop de Nova York (e do cinema). Seu Johnny Boy, de Caminhos Perigosos, surge na tela explodindo uma caixa de correio. Simplesmente pela vontade de explodi-la. Gente, essa é a primeira imagem de De Niro em um filme de Scorsese! Johnny Boy é inconseqüente. Pede dinheiro e jamais paga – e não entende porque deve devolvê-lo. Cara de pau esse Johnny Boy… Ele era um menino arruaceiro, que se divertia em brigas de bar, pulando em mesas de bilhar e arremessando tacos na cabeça de seu adversário. Ali, começávamos a perceber como De Niro passava de um cara tranqüilo e amigável para um monstro sanguinário em um piscar de olhos. Com Scorsese, De Niro foi motorista de táxi justiceiro, em Taxi Driver. Quem não treme quando Travis Bickle repete: You talkin’ to me? You talkin’ to me? Paranóico, o taxista acha que um banho de sangue é a solução para salvar uma menina da escória das ruas. Simples assim.

De Niro trabalhou com Bertolucci, Kazan, Leone, Tarantino, Michael Cimino… Esse último não fez nada que valesse a pena depois de O Franco-Atirador. Que filme! De Niro protagoniza uma cena de roleta russa, que me dá arrepios só de lembrar. O que é aquilo? De Niro trabalhou com Coppola. Ele foi o jovem Vito Corleone em O Poderoso Chefão – Parte II. Para estabelecer a ordem na vizinhança, ele mata o manda-chuva local durante uma procissão. Essa é a cena de assassinato mais célebre do cinema. E ele não precisou dizer mais nada. Naquele momento, Vito Corleone começava a consolidar seu império. De Niro foi o Diabo em Coração Satânico, de Alan Parker. Não no sentido figurado da palavra – isso ele fez em outros filmes. Ele foi o Capeta em pessoa. De Niro foi Al Capone, em Os Intocáveis. Brian De Palma teve que convencer a Paramount para que ele ganhasse o papel. O estúdio queria Bob Hoskins. Dirigido por Kenneth Branagh, De Niro foi literalmente o monstro de Frankenstein de Mary Shelley.

Ainda com Scorsese, De Niro deu cabeçadas na parede em Touro Indomável. Monstro! Como o boxeador Jake La Motta, ele subia nos ringues somente para bater e, principalmente, apanhar. Ele deixava seu oponente socá-lo contra as cordas no ato de autopunição mais selvagem do cinema. La Motta apanhava para se arrepender dos pecados. Como Max Cady, em Cabo do Medo, De Niro assustou dezenas de pessoas. Na cena em que a família formada por Nick Nolte, Jessica Lange e Juliette Lewis leva um susto com o toque do telefone, a platéia vai junto. Culpa do De Niro. Do Scorsese também.

Hoje, De Niro está mais preocupado com sua produtora, a Tribeca. Aos 63 anos, ele também quer ser diretor. Triste daquele que acha que De Niro é somente o astro de Entrando Numa Fria e afins. Um dos melhores atores da História do cinema. Ninguém foi tão psicopata nas telas quanto ele. Monstro sagrado esse De Niro.

Os cinco melhores momentos de Robert De Niro

1) Touro Indomável, de Martin Scorsese
(Jake La Motta)

2) Taxi Driver, de Martin Scorsese
(Travis Bickle)

3) Cabo do Medo, de Martin Scorsese
(Max Cady)

4) O Poderoso Chefão – Parte II, de Francis Ford Coppola
(Vito Corleone)

5) O Franco-Atirador, de Michael Cimino
(Michael Vronsky)

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