maio 16th, 2007

Lady Vingança

Direto ao ponto: o cinema do coreano Park Chan-Wook não é para todos. Embora seja menos explícito e sangrento do que Oldboy, esse Lady Vingança (Chinjeolhan geumjassi, 2005) também não deixa ninguém indiferente. A principal diferença entre os dois filmes é que Lady Vingança explora a violência dentro de cada um de nós sendo utilizada para fazer justiça com o apoio da ética.

São sentimentos da natureza humana que surgem numa sociedade capaz de punir assassinos impunes – sem esperar pela burocracia da lei. Aproveitando a pronúncia do título nacional é como se o diretor sacramentasse uma “lei de vingança”. O diretor Park Chan-Wook leva o público a entender a decisão dos personagens de Lady Vingança e (na agonizante meia hora final) revela a grande força do filme: apontar uma história de redenção por trás de toda a trama de violência e vingança.

Park Chan-Wook analisou o tema em três filmes: Sympathy for Mr. Vengeance (2002), o cultuado Oldboy (2003) e, agora, Lady Vingança (2005), finalmente em cartaz depois de dois anos de espera. A redenção da personagem Lee Geum-ja (a bela Lee Young-ae) a que me refiro é a de sua feminilidade. Depois de 13 anos na prisão, ela sai para executar um plano infalível de vingança, mas o que realmente importa é o seu reencontro como mulher e mãe.

Você pode até lembrar de Kill Bill ao ler críticas de Lady Vingança, mas Quentin Tarantino parece um diretor de ótimas comédias perto do olhar perturbador de Park Chan-Wook. Realmente, o grande diretor de Pulp Fiction é influenciado pela arte do coreano, mas a comparação fica somente no tema (a violência) e na opção pela narrativa fragmentada.

Os momentos mais fortes de Lady Vingança são aqueles que você simplesmente não vê. É o poder da sugestão no cinema e a confiança do diretor na platéia. A violência neste filme é sufocante, mas quase nunca revelada. E ainda assim, muita gente não consegue olhar para a tela. E talvez, o cinema jamais tenha sido tão contundente ao denunciar crimes contra crianças. Não há banalização da violência, mas o cineasta não deixa de mostrar como a mídia se encarrega disso. O que também impressiona em Lady Vingança é como Park Chan-Wook consegue extrair beleza e sensibilidade de um tema tão difícil. Provavelmente, o filme nunca teria saído deste jeito se fosse bancado por um estúdio de Hollywood. É uma experiência de impacto único – por mais que eu tenha gostado, saí do cinema chocado. Acho que nunca encararia uma segunda sessão.

Lady Vingança (Chinjeolhan geumjassi, 2005)
Direção: Park Chan-Wook
Elenco: Lee Yeong-ae, Choi Min-sik, Go Su-Hee e Kang Hye-jeong

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