Os 100 anos de John Wayne
Em 1930, o diretor Raoul Walsh perguntou a John Ford se havia algum jovem ator interessante para o papel principal de A Grande Jornada. Na época, Walsh lia uma biografia do General Anthony Wayne e disse para Duke Morrison: “Não. Você tem cara de Wayne”. O filme não foi tão bem de crítica e público, mas lançou o lendário John Wayne.
Após nove anos fazendo produções B, Wayne recebeu o roteiro de No Tempo das Diligências (1939), de John Ford. O filme se tornou um clássico instantâneo e transformou Wayne em astro. Seu papel não foi exatamente o principal: um anti-herói chamado Ringo Kid, que se apaixonou por uma prostituta. O amor significou a redenção, o perdão para o casal, de acordo com John Ford, claro.
Ford e Wayne colaboraram em faroestes obrigatórios ou verdadeiras obras-primas como Rastros de Ódio (1956) e O Homem Que Matou o Facínora (1962). Ford tem uma célebre frase: “My name is John Ford and I make westerns”. John Wayne foi imortalizado como “O Maior Cowboy do Cinema”. Num tempo de cowboys machos no terreno que, para muitos, representa a última das mitologias. Mas a dupla também contribuiu em outros gêneros com belíssimas poesias como Depois do Vendaval (1952), que traz a cena de beijo mais bonita da sétima arte (reverenciada por Steven Spielberg numa seqüência inesquecível de E.T.).
John Wayne teria completado 100 anos na última segunda-feira, dia 26 de maio. Morreu em 11 de junho de 1979, aos 72 anos. O astro fez mais de 100 filmes e sei que ainda tenho muito para descobrir sobre John Wayne. Alguns títulos me deixaram sem palavras como os que descrevi acima. Principalmente Rastros de Ódio. Seu Ethan Edwards é um dos meus personagens favoritos. Há tanto racismo e ódio dentro dele – sem falar na paixão platônica (e reprimida) pela cunhada, uma das coisas mais dolorosas que já vi. Ele é um Ulisses sombrio nesta Odisséia, de John Ford. Gosto muito também de Onde Começa o Inferno (1959), de Howard Hawks, que atingiu a perfeição.
Engraçado como só depois dos 60 anos que Wayne ganhou seu Oscar de Melhor Ator, por Bravura Indômita (1969), de Henry Hathaway. Vale pelo reconhecimento ao astro, porém não é nem de longe um dos melhores filmes de sua vida. Obras de arte no sentido poético e sincero. Mas que vontade de passar na locadora numa hora dessas…




Perfeito


Bela nota sobre esse mito do cinema. Parece que o canal TCM está passando vários filmes da carreira dele em homenagem ao seu centenário. É hora de aproveitar e assistir alguns.
Otávio, parabéns pelo registro do centenário do John Wayne. Li em pouquíssimos locais a respeito disto.
Ao ler seu artigo, fiquei nostálgica e com saudades de um tempo em que o cinema era sinônimo de qualidade e do relato de boas histórias.
Exatamente! Temos muito ainda pra conhecer… Só John Wayne fez mais de cem filmes! 100!!!!!!!!
Maravilha! Espero viver pra ver todos!
Abs a todos! E obrigado!
Puxa, mas um belo texto, Otavio. Não conheço tanto o trabalho do Wayne (vi apenas “O Homem que Matou o Facínora” e “Depois do Vendaval”), mas valeu a homenagem!