junho 20th, 2007

Shrek Terceiro

O segredo do Shrek original de 2001 foi não seguir clichês ou fórmulas, seja no universo da fantasia ou em qualquer outro gênero. A idéia era subverter o politicamente correto (e sem ofender). Não que o filme não tenha “mensagens bonitinhas”, mas elas sempre foram implícitas como a escolha de Fiona (voz de Cameron Diaz) em deixar os padrões de beleza da sociedade de lado e aceitar sua maldição para se casar com Shrek (voz de Mike Myers). Em Shrek 2 (2004), o diretor Andrew Adamson e os roteiristas se preocuparam mais com a história e confiaram na platéia, que já estava acostumada com esse mundo. O filme é superior e deixa até a “tiração de sarro” em segundo plano. O que importa em Shrek 2 é a aventura, a emoção e todos aqueles ingredientes que valem um ingresso caro de cinema.

Pois bem. Se o 2 só acrescentou, Shrek Terceiro (Shrek the Third, 2007) não justifica sua vinda ao mundo. A confiança na platéia continua, mas desta vez, eles não trouxeram nada de novo. Nesse sentido, Shrek Terceiro parece a seleção brasileira na Copa passada: todos pensaram que eram craques e tinham a certeza absoluta de que decidiriam o jogo a qualquer instante. Deu no que deu.

Se o casal principal, Shrek e Fiona, amadureceu e ficou sem graça, a esperança caiu nos ombros dos coadjuvantes, certo? Errado! O Burro (voz de Eddie Murphy) e o sensacional Gato de Botas (voz de Antonio Banderas) continuam com as mesmas piadas. Aliás, há um irritante excesso de repetição. É mais do mesmo! As mulheres vão à luta, o Gato faz cara de dó, o Burro canta, ainda ressaltam que Shrek é fedido, etc. Até o vilão é o mesmo. Exceto por uma universidade com alunos como os jovens Lancelot, Guinevere e Arthur, o filme é cheio de lugares comuns. Se fosse com atores de verdade (e não pixels), Shrek Terceiro teria cara de uma produção que não quis gastar muito com locações e a solução foi reaproveitar cenários. O personagem que poderia acrescentar algo – o futuro Rei Arthur (voz de Justin Timberlake), ou Artie – é um mala sem alça. É o Jar Jar Binks de Shrek. Ele até faz um discurso piegas no fim do filme. “Mensagem bonitinha” explícita em Shrek? Não, não pode ser! Isso não é Shrek! Essa série nunca foi convencional. Será que as idéias acabaram?

Ok, não que seja ruim. Tem uma tirada aqui e ali como a visita à Universidade, a morte do Rei Sapo e o seu funeral, a risada vem e vai, e a animação está ainda mais espetacular… Mas é muito pouco. E o erro está em dois pontos: não oferecer nada aos fãs e não trazer nenhum “tempero” neste roteiro – não há empolgação na ação, no drama e, pior, na comédia. Não há nenhum elo emocional com a platéia que faça o fã vibrar na poltrona e torcer pelos personagens. Enfim, as crianças vão adorar, mas levando em conta Shrek 1 e 2, são problemas seríssimos.

O pior é que já confirmaram Shrek 4. Mas se um Shrek 3 não era necessário (e não foi), o quarto filme ganha um fardo injusto: o de salvar a série. Ele precisa acontecer! Mas… Tudo bem. É sempre bom e divertido reencontrar velhos amigos. Mesmo quando eles não têm novidades para contar.


Shrek Terceiro
(Shrek the Third, 2007)
Direção: Chris Miller e Raman Hui
Com as vozes de Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Rupert Everett, Justin Timberlake, Julie Andrews, John Cleese e Eric Idle

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