junho 24th, 2007

Treze Homens e um Novo Segredo

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean’s Thirteen, 2007) está aí para provar que Hollywood ainda pode fazer cinema de entretenimento sem efeitos visuais. Mas a única lição que tiramos deste filme é que Hollywood não consegue fingir inspiração. Existem dois problemas graves nessa série iniciada com Onze Homens e um Segredo: o elenco se diverte mais do que a platéia e as idéias foram suficientes para somente um bom filme.

No primeiro, Steven Soderbergh ainda estava com o Oscar de Melhor Diretor, por Traffic, dentro da mala. Para muitos, ele era o maior cineasta em atividade e resolveu curtir o sucesso ao lado de bons amigos com esse remake, que supera o filme homônimo do Rat Pack, de 1960. Tem uma cena final linda com os onze de Danny Ocean (George Clooney) contemplando a vitória de frente para a dança das águas do chafariz. Naquele filme, as piadas funcionam, o humor é irresistivelmente cínico e a homenagem ao original é emocionante. Já o segundo, Doze Homens e Outro Segredo, não tem graça, e deixa Soderbergh livre para balançar a câmera como bem entender. É um horror. Não fica nada de nada.

Treze Homens e um Novo Segredo tenta resgatar o charme do primeiro e resulta numa cópia da cópia. Muito mal feita. O roteiro perde muito tempo na preparação do golpe e depois vem aquela sucessão de resoluções. O filme poderia ter 1h30 de duração, mas apresenta barrigas (ou como gostam de dizer: tramas paralelas demais) como as seqüências desnecessárias no México. E olha que a premissa é até boa: os homens de Ocean estão ficando velhos. São bandidos analógicos na era digital. Mas Soderbergh deixa isso para lá. Caramba! Não acontece quase nada neste filme!

Ao menos, esse é melhor do que o pavoroso filme anterior. Mas isso não quer dizer grande coisa. E a tentativa de se aproximar do primeiro fica só na tentativa. Treze Homens e um Novo Segredo é um curso básico de “Como desperdiçar um grandioso elenco, incluindo Al Pacino” com o professor Steven Soderbergh. Cinema de entretenimento é só dar uma ou outra risadinha aqui e ali? Como na cena da Oprah (a única realmente engraçada)? É só ver gente sem compromisso desfilar na tela? Será que é só isso?

Ou seja, Soderbergh quer parecer inteligente até quando faz cinemão hollywoodiano. Mas ele parece mesmo é artificial. O que é Soderbergh? Eu não quebro mais a cabeça com o cinema dele. Roda Sexo, Mentiras e Videotape e Kafka logo de cara, mas parte para refilmagens de Solaris e Onze Homens e um Segredo ou filmes experimentais como Bubble. Acho que ele se leva a sério demais. E hoje, Soderbergh é um falso cineasta independente. Se ele é o gênio que já chegaram a dizer, o cinema está mesmo no mau caminho. Ocean’s 14? Não pra mim.


Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean’s Thirteen, 2007)
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Elliott Gould, Al Pacino, Don Cheadle, Carl Reiner e Ellen Barkin

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