julho 29th, 2007

Agosto encerra temporada de filmes barulhentos

Alguns gostam e outros odeiam os filmes do verão norte-americano. Nesta época, os inimigos da temporada têm razão absoluta em apenas um ponto: os estúdios querem mesmo é encher os bolsos e os cofres de dinheiro. Mas às vezes, essa pretensão pode agradar fãs de séries consagradas, conquistar novos seguidores e colocar entretenimento em um filme de verdade. Infelizmente, esse último item está cada vez mais em falta no mercado.

Até o momento, os cinco maiores sucessos de bilheteria de 2007 em todo o mundo são: Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (com US$ 945 milhões acumulados, o filme não superou a faixa de US$ 1 bilhão de O Baú da Morte, mas ocupa a 5º lugar no ranking geral), Homem-Aranha 3 (US$ 884 milhões), Shrek Terceiro (US$ 700 milhões), Harry Potter e a Ordem da Fênix (US$ 593 milhões) e Transformers (US$ 476 milhões). Nenhum deles é unanimidade entre a comunidade cinéfila. O que é perfeitamente compreensível. Não houve uma “grande sacada” neste ano. Apenas “seqüências”. E a maioria não se justificou. Os estúdios confiaram demais no “carisma” dos heróis de cada franquia. Mas o público não é bobo.

Nos EUA, a liderança ficou com Homem-Aranha 3 (US$ 335 milhões), seguido por Shrek Terceiro (US$ 318 milhões), Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (US$ 306 milhões), Transformers (US$ 285 milhões) e Harry Potter e a Ordem da Fênix (US$ 242 milhões). Embora seja o mais fraco dos filmes do aracnídeo, Homem-Aranha 3 ocupa a 15ª maior bilheteria da história em território norte-americano. Digo de novo: Hollywood confiou nos heróis. Mas até quando o público vai aceitar qualquer coisa que envolva personagens que não saem de seus corações?

Em agosto, o Brasil assiste aos últimos filhotes barulhentos de Hollywood nesta temporada. Para alegria de muita gente, Bruce Willis retorna ao papel que o levou ao cinema: o invencível tira John McClane. Quem é fã, tem tudo para gostar. Em Duro de Matar 4.0, ele mostra que a velha escola de ação dos anos 1980 ainda é capaz de empolgar e ensinar aos novos “espertalhões” da indústria como se faz um bom filme do gênero. Aos 52 anos, Willis ainda bate e arrebenta. Herói carismático é John McClane. Não Ethan Hunts ou Daniel Craigs. Viva a velha escola! O filme estréia nesta sexta-feira, dia 03 de agosto.
Um dos representantes do gênero para uma nova geração é o Jason Bourne de Matt Damon. No dia 17 de agosto, o agente sem memória se lembra de tudo em O Ultimato Bourne. Pena que a direção continua com Paul Greengrass, que funciona muito mais em docudramas.

No anterior A Supremacia Bourne, o cineasta responsável por Vôo United 93 e Domingo Sangrento quis dizer que ação é balançar a câmera até qualquer coisa na tela ficar irreconhecível. O melhor filme da “trilogia Bourne” é o primeiro, que foi bem dirigido por Doug Liman. Vamos ver no que dá.

Também no dia 17, a câmera não balança em Os Simpsons – O Filme. Mas Matt Groening (o criador da série de TV) disse que muitos ficarão ofendidos com o longa. Eu acredito nele. Ninguém assiste a qualquer episódios de Os Simpsons e sai ileso.
Aos inimigos do verão-americano: Calma! Falta pouco. As Mostras de Cinema de RJ e SP estão chegando, as temporadas de prêmios, etc. Mas é com a grana do verão norte-americano que Hollywood também consegue bancar “filmes de arte”. É só ter paciência. Ou compre mais um ingresso para essa ou aquela produção barulhenta. É tudo parte de um ciclo (e do show). Alguma hora você acaba entrando no filme certo.

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