novembro 24th, 2007

Saudades do bom e velho faroeste

O cinéfilo já pode conferir O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, que estreou neste final de semana. Assisti ao filme dirigido por Andrew Dominik e produzido por Ridley Scott na Mostra de SP e juro que fiquei com saudade dos velhos faroestes do cinema (leia a crítica aqui).

Esse filme não pode ser colocado no mesmo pedestal de Meu Ódio Será Sua Herança, O Homem que Matou o Facínora, Onde Começa o Inferno, Rastros de Ódio ou Os Imperdoáveis. Faroeste não pode ter frescuras. É matar ou morrer. Até Robert Zemeckis, quando brincou com o gênero em De Volta Para o Futuro – Parte III, sabia disso.

A mitologia construída pelo western no cinema não merece O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, que como faroeste é um comercial de shampoo ou margarina. A fotografia de Roger Deakins é belíssima, embriagante, etc. Deve ser indicada ao Oscar, claro. Mas quem erra a mão é o diretor. Inexperiente, ele se deixa levar pelas imagens captadas por Deakins e acha que tudo é parte de uma paisagem tocada pelo vento.

E olha que ele teve um apoio e tanto. Diretor de fotografia dos irmãos Coen, Roger Deakins fez o seu melhor em Onde os Fracos Não Têm Vez. Mas ali, embora eu também não goste muito do filme, Joel e Ethan Coen sabem utilizar esse apoio para contar a história. Onde os Fracos Não Têm Vez também possui uma narrativa lenta, mas parece necessária e não fica com cara de filme publicitário. Como se isso não bastasse, em Jesse James, Dominik preferiu perder tempo com tramas paralelas, quando deveria se concentrar no sentimento de admiração e inveja, que mais parece paixão reprimida, de Robert Ford (Casey Affleck) pela lenda do Velho Oeste interpretada por Brad Pitt.

Além da fotografia, O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford tem uma linda trilha sonora composta por Nick Cave e Warren Ellis. Mas nem essa dupla, nem Deakins e nem mesmo Brad Pitt e Casey Affleck merecem o resultado frouxo de Andrew Dominik. Pitt está ótimo como Jesse James e ganhou o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Veneza. Foi um exagero, mas ele está bem.

Quem merece mais elogios do que Pitt é Casey Affleck, irmão (ainda) menos famoso de Ben Affleck. Em breve, poderemos conferir Casey dirigido por Ben, em Gone Baby Gone, adaptação de mais um livro de Dennis Lehane, o mesmo autor de Sobre Meninos e Lobos. Dizem que Casey Affleck está ainda melhor no filme que marca a estréia do irmão como diretor. Temos que prestar mais atenção na carreira do rapaz, que até outro dia era apenas um dos integrantes menos idolatrados dos Ocean’s Eleven, do qual Brad Pitt faz parte.

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