novembro 8th, 2007

Superbad


Judd Apatow é o responsável pelas comédias mais originais da década. Ele dirigiu e escreveu O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, e produziu O Âncora, Ricky Bobby – A Toda Velocidade e, agora, Superbad – É Hoje (Superbad, 2007). No caso deste último, Apatow comandou sua fiel equipe na realização da primeira comédia adolescente em muito tempo que não se parece com um Chaves americano. Ou seja, não tem um bando de marmanjos no elenco se passando por garotinhos.

A grande diferença entre Superbad e filmes como Porky’s, American Pie ou A Vingança dos Nerds está na sinceridade dos diálogos e das situações criadas pela família Apatow, que aumenta filme após filme. Superbad não é pastelão e nem explora piadas politicamente incorretas. Do ponto de vista feminino, pode até parecer grosseiro, mas só porque meninos e meninas vivem (ou viveram) esses mundos contraditórios e particulares.

O segredo dessa aproximação com a realidade está nos papos diretos e engraçadíssimos do roteiro da dupla Seth Rogen (astro de Ligeiramente Grávidos) e Evan Goldberg. A normalidade dos acontecimentos torna o filme de fácil identificação para o público masculino. Quer coisa mais bizarra do que o nosso dia-a-dia? Não sei se o roteiro é autobiográfico, afinal os protagonistas Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera, da saudosa série Arrested Development) levam os primeiros nomes dos autores. De qualquer forma, quem já foi menino, não tem como ignorar algumas lembranças – para o bem ou para o mal.

A química entre Jonah Hill e Michael Cera é sensacional e ganha um ponto de equilíbrio com a entrada de Fogell (ou “McLovin”), o extraordinário Christopher Mintz-Plasse. O trio demonstra suas intenções ao disparar frases repletas de palavrões numa velocidade absurda – é como se Martin Scorsese tivesse revisado (e aprovado) o texto. Além disso, a ação da garotada de Superbad propõe o que a censura americana tenta esconder. Eles correm atrás de bebida, sexo e até disparam armas de fogo. Acredite: tudo acontece naturalmente.

Quase toda a trama gira em torno da preparação de uma festa para comemorar o fim do colegial. Os nerds Seth, Evan e McLovin tentam comprar bebidas alcoólicas para o evento e não querem decepcionar as garotas. Para eles, essa representa a última chance de transar antes da faculdade. Até o início da festa, os três passam por um verdadeiro épico urbano em busca de uma noite de prazer.

A presença de dois policiais interpretados por Seth Rogen e Bill Hader acrescenta uma estranha profundidade na trama. No final, fica a sensação de que nenhum homem deixa de ser um menino – nem mesmo os produtores, roteiristas e o diretor Greg Mottola. O diálogo com Fogell (depois que os tiras “empatam” o garoto) é hilário, mas honesto, e comprova o que quero dizer. A intenção de Judd Apatow & Cia. é deixar o público chorando de tanto rir. Mas, antes de tudo, Superbad é uma comédia com coração sobre amizade e o ritual de aceitação do homem em seu próprio mundo. É um filme de verdade com um ótimo elenco e um roteiro de primeira.

Superbad – É Hoje (Superbad, 2007)
Direção: Greg Mottola
Roteiro: Seth Rogen e Evan Goldberg
Elenco: Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen, Bill Hader e Emma Stone

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