janeiro 4th, 2008

Bee Movie

Bee Movie – A História de uma Abelha (Bee Movie, 2007) é uma animação sobre uma abelhinha falante e paranóica ou é uma animação paranóica sobre uma abelhinha que fala e voa em Nova York?

Confesso que só encarei esse filme por ter a assinatura de Jerry Seinfeld, que está no exílio criativo desde o encerramento de minha série de TV favorita em todos os tempos. Mas a verdade é que Bee Movie é outra decepção dessa máquina trituradora de talentos chamada Hollywood.

Lógico que o humor irônico de Seinfeld está em algumas falas, mas o roteiro em si não empolga e constrói (ou desconstrói) uma história absurda de uma abelhinha, que deseja mudar a rotina proposta dentro de sua colmeia. Barry B. Benson (voz do próprio Seinfeld) sonha em conhecer o mundo lá fora, que, na verdade, não passa de Nova York. Lá, ele conhece a doce humana Vanessa (voz de Renée Zellweger), que trabalha numa floricultura. Até esse momento, até que a animação é agradável com suas idéias interessantes meio que saídas de 1984, de George Orwell. Parece que Seinfeld quer criticar o modo de vida automático que alcançamos. É acordar, trabalhar e dormir. Sobra pouco tempo para conhecer o mundo e até mesmo seus semelhantes. Ou se apaixonar. Com isso, Barry quebra algumas barreiras e decide falar com Vanessa – o que é proibido pelas abelhas. Inicialmente, ela se assusta, mas a amizade entre a improvável dupla só aumenta.

O verdadeiro problema de Bee Movie começa aí. O rumo que a história toma a partir da decisão de Barry em enfrentar uma empresa que ele julga estar roubando o mel das abelhas faz com que o trem saia dos trilhos. Qualquer aspecto intelectual é diluído numa luta moralista pelo meio-ambiente. Daí pra frente, Bee Movie embarca numa viagem sonolenta e sem ritmo, que depende das piadas criadas por Seinfeld. A história aposta numa certa ousadia narrativa, mas termina de forma convencional.

Pelo menos, Seinfeld não perdoa nada ou ninguém. Suas brincadeiras estão nos detalhes. Ray Liotta e Sting não saem ilesos dessa. Acho até que ele aborda o Holocausto ao mostrar abelhas sendo obrigadas a fabricar mel para os humanos. Mas são nuances que não interessam para as crianças, obviamente o verdadeiro público-alvo desta produção. E não é um prato cheio para os adultos, porque não traz nenhuma novidade. Para os fãs da série Seinfeld, no entanto, Bee Movie não mata a saudade do comediante. Tem uma ou outra piada, o que é muito pouco para fazer um filme. E ainda têm aquelas cenas dos vôos das abelhinhas de deixar os desavisados enjoados no cinema. Será que não pensaram em lançar Bee Movie no formato 3-D?

O pior disso tudo é observar a tendência de Hollywood em produzir animações com bichinhos. Antes da sessão de Bee Movie, vi o trailer de Kung Fu Panda. Pode ser que seja bom, mas dá-lhe filmes como O Jacaré Aviador, A Gazela Saltitante ou O Ratinho Amigo. Acho que, principalmente, a Dreamworks precisa repensar suas animações. Até Shrek (a mina de ouro do estúdio) já foi “por água abaixo”. Se a Disney renovou o conceito de suas produções na metade dos anos 90, por que a Dreamworks não pode fazer o mesmo? Mas se o objetivo consiste em vender camisetas e brinquedos de abelhinhas, a tentativa foi bem-sucedida.

Bee Movie – A História de uma Abelha (Bee Movie, 2007)
Direção: Steve Hickner e Simon J. Smith

Roteiro: Jerry Seinfeld e Spike Feresten
Com as vozes de Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, Patrick Warburton, John Goodman e Chris Rock

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