janeiro 28th, 2008

Monstros sagrados

E os irmãos Coen ganharam o Directors Guild Awards, prêmio outorgado pelo sindicato dos diretores, que coincide com o Oscar de Melhor Direção em 90% das vezes. Vencedor no ano passado, por Os Infiltrados, Martin Scorsese entregou os prêmios a Joel e Ethan Coen, por Onde os Fracos Não Têm Vez.

Mesmo não sendo grande fã do último filme dessa dupla genial, confesso que parece irresistível torcer para os irmãos Coen no Oscar. Sempre gostei deles. Não tanto da fase pós-Fargo. Mas ok. Engraçado é lembrar que Onde os Fracos Não Têm Vez é super complexo e não renuncia em nada ao estilo dos Coen. Quero dizer que não é o tipo de filme que faz a cabeça da Academia. Bom, amanhã eu vou rever Onde os Fracos Não Têm Vez, que tem pré em São Paulo. Espero gostar mais desta vez. Prometo uma nova crítica.

O final de semana não confirmou apenas o favoritismo dos Coen ao Oscar, mas também de outro monstro sagrado: Daniel Day-Lewis. Toda cena que eu vejo de Sangue Negro me passa a impressão de que esse deve ser “o filme”.

O grande Daniel Day-Lewis recebeu o Screen Actors Guild de Melhor Ator. Seu agradecimento foi sensacional (veja aqui). Em vez de falar sobre Sangue Negro, ele preferiu homenagear Heath Ledger. Day-Lewis disse que perdemos um talento de verdade e confessou que a cena final de Brokeback Mountain é uma das coisas mais sensíveis que ele já viu.

O Sindicato dos Atores também premiou Julie Christie (Melhor Atriz, por Longe Dela) e Javier Bardem (Melhor Ator Coadjuvante, por Onde os Fracos Não Têm Vez). Bardem é o vilão do filme dos Coen. Ele está ridiculamente assustador. Mas me parece um estilo de vilão que vemos em histórias em quadrinhos. Bem caricato mesmo. Nunca premiaram o Coringa de Jack Nicholson em Batman, mas como Onde os Fracos Não Têm Vez não tem heróis e vilões mascarados, aí pode. Mas Bardem está engraçado no filme. Fui injusto com ele. Enfim, só acho que não é pra ganhar prêmios.

Mas não entendi mesmo foi a vitória da veterana Ruby Dee como Melhor Atriz Coadjuvante, por O Gângster. Nada demais no filme de Ridley Scott. Ruby Dee nem ofusca Russell Crowe e Denzel Washington em cena alguma. Acho que os atores deram um prêmio sentimental a ela.

A estatueta mais importante da noite foi a de Melhor Elenco para Onde os Fracos Não Têm Vez. Como a maioria da Academia é formada por atores, o filme dos irmãos Coen é mesmo favoritíssimo. Parece que ninguém tasca.

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