fevereiro 21st, 2008

15 dos 80 Oscars

O Oscar faz 80 anos neste domingo. E não adianta. Quem gosta de cinema pode reclamar ou concordar com as escolhas da Academia, mas sempre volta para acompanhar a cerimônia no ano seguinte.

Estou indo para o meu 15º Oscar. Assisti a 14 cerimônias pelos canais Globo, SBT e, atualmente, TNT. Sempre com Rubens Ewald Filho comentando. Antes de 1994, eu nunca havia ficado acordado até o fim. Desde então, resisti bravamente com muito café aos intermináveis e chatos números musicais da Academia e não preguei mais os olhos.

Abaixo, destaco pontos positivos e negativos nas minhas 15 experiências noite adentro nas entregas das famosas estatuetas douradas.

1994: A Lista de Schindler foi o Melhor Filme – superando Em Nome do Pai, O Piano, Vestígios do Dia e O Fugitivo. Foi muito emocionante vibrar com o primeiro Oscar para Steven Spielberg. Na verdade, ele ganhou dois naquela ocasião – Filme e Direção. Demorou, mas Steven foi reconhecido como “cineasta adulto”. Como se precisasse…

1995: Forrest Gump bateu Pulp Fiction, Quatro Casamentos e um Funeral, Quiz Show e Um Sonho de Liberdade. Apesar de adorar os filmes de Quentin Tarantino e Frank Darabont, acho que a vitória foi justa. Tom Hanks repetiu a dose do ano anterior e ganhou mais um Oscar de Melhor Ator, igualando o feito de Spencer Tracy. Woody Allen concorreu na categoria de Melhor Diretor pela última vez com o fantástico Tiros na Broadway. É lógico que ele não foi na festa.

1996: Coração Valente derrotou Babe, Apollo 13, Razão e Sensibilidade e O Carteiro e o Poeta. Na época, eu adorei a vitória de Mel Gibson. Acho que ainda concordo com o resultado final. Mas foi uma cerimônia sem graça e sem surpresas. Só acho que Despedida em Las Vegas deveria ter sido indicado a Melhor Filme. Mas no lugar de quem?

1997: O primeiro Oscar que passei nervoso. Acho O Paciente Inglês chatíssimo. Nove Oscars? Hello?? Aqui sim os Irmãos Coen deveriam ter recebido os Oscars de Filme e Direção, por Fargo. Pelo menos, eles levaram o de Roteiro Original. Não entendo até hoje como O Povo Contra Larry Flynt ficou de fora como Melhor Filme.

1998: Titanic levou tudo. E quer saber? Eu concordo. Mas também adorei ver Jack Nicholson ganhar como Melhor Ator e “pular” as rachaduras do palco como seu personagem em Melhor É Impossível. Também foi legal ver Matt Damon e Ben Affleck com o Oscar de Roteiro Original, por Gênio Indomável. Na Globo, Arnaldo Jabor chamou Robin Williams de canastrão. Foi o fim para ele como comentarista.

1999: Shakespeare Apaixonado bateu O Resgate do Soldado Ryan como Melhor Filme. Harrison Ford, amigo de Steven Spielberg, anunciou o prêmio e fez cara de bobo. Inacreditável. Seria o pior Oscar de todos se Spielberg não tivesse ganho sua segunda estatueta de Melhor Diretor. Gwyneth Paltrow? Roberto Benigni? Por favor… Essa Miramax, hein.

2000: Beleza Americana ganhou o Oscar principal. Bateu O Informante, O Sexto Sentido, Regras da Vida e À Espera de um Milagre. Foi uma das melhores seleções que eu já vi. Torci por O Sexto Sentido. Mas tudo bem. O prêmio ficou em boas mãos. Neste ano, a Dreamworks virou o jogo contra a Miramax papa-Oscar, que aprontou O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado.

2001: Gladiador derrotou Traffic, Erin Brockovich, O Tigre e o Dragão e (sic) Chocolate. Esse último foi uma tentativa absurda do marketing da Miramax, que deixou o excelente Quase Famosos de fora. Mas deu Dreamworks de novo. Eu adorei a vitória de Gladiador. Steven Soderbergh foi o Melhor Diretor, mas eu preferia Ang Lee. Julia Roberts fez escândalo ao ganhar como Melhor Atriz. Ela merece. Ok?

2002: Para mim, O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel foi o melhor de todos. A Academia preferiu ver a trilogia completa antes de qualquer coisa – o que é compreensível. Depois do filme de Peter Jackson, Uma Mente Brilhante era o melhor mesmo. Mas o ano ficou marcado pelas vitórias de Denzel Washington e Halle Berry (sic) como Ator e Atriz. Cansada de ser apontada como racista, a Academia aprontou essa marmelada pra cima de Russell Crowe, hein.

2003: Chicago? Deus, isso fez Moulin Rouge (candidato do ano anterior) parecer uma obra-prima. Meu favorito era As Duas Torres, claro. Mas por que não um Oscar para As Horas? Ou O Pianista? Bom, a velha Miramax virou o jogo contra a Dreamworks. Eta briguinha chata de marketing, sô. Foi um dos Oscars mais chatos que eu já vi. Gangues de Nova York concorreu a 10 Oscars e não levou nada. Nem o de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis. Adrien Brody? Faça-me o favor…

2004: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei ganhou, literalmente, tudo. Igualou o recorde de 11 Oscars de Ben-Hur e Titanic. É isso aí. Dormi feliz naquela noite.

2005: Menina de Ouro e Clint Eastwood derrotaram O Aviador e Martin Scorsese, respectivamente. A noite ficou marcada pelo duelo entre esses dois grandes nomes do cinema. A vez de Scorsese ainda chegaria.

2006: Quando Jack Nicholson falou CRASH no final da festa, ninguém acreditou. Nem ele. Nem mesmo Paul Haggis, o diretor e roteirista do filme. Eu torci por Boa Noite e Boa Sorte ou Munique, mas todos esperavam pela vitória de Brokeback Mountain, que também é maravilhoso. Ao menos, Ang Lee foi o Melhor Diretor. Enfim, gosto de Crash, mas o filme de Paul Haggis precisou muito mais de um Oscar do que o drama de Ang Lee para ser reconhecido.

2007: And the Oscar goes to… Martin Scorsese! E Os Infiltrados ainda levou o de Melhor Filme. Foi demais! Adeus, Babel. Sorry. Esse foi o meu primeiro Oscar com o Hollywoodiano.

2008: A gente fala depois sobre isso.

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