fevereiro 25th, 2008

Altos e baixos da cerimônia

Será que os Irmãos Coen não queriam toda essa homenagem no Oscar? Será que eles tinham coisa mais interessante para fazer ontem à noite? Que caras foram aquelas dos vencedores de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado? Que dificuldade para arrancar um simples sorriso deles! Ou algo mais do que o “Hmm… Thank You!” de Ethan Coen. Enfim, os irmãos mais celebrados do cinema ganharam três estatuetas cada – os últimos recordistas foram Peter Jackson (Filme, Direção e Roteiro Adaptado, por O Retorno do Rei) e James Cameron (Filme, Direção e Montagem, por Titanic).

Peninha para Paul Thomas Anderson, que fez realmente o melhor filme do ano. Seu Sangue Negro levou as justas estatuetas de Melhor Ator (Daniel Day-Lewis) e Melhor Fotografia, mas merecia bem mais. Parece que ficou aquela impressão de que o filme vale pela atuação sobrenatural de Daniel Day-Lewis como disse o “sábio” José Wilker. Não é verdade. Sangue Negro tem força para ser considerado como o único clássico do cinema saído diretamente de 2007. O “entendido” José Wilker também disse que O Ultimato Bourne (o segundo maior oscarizado da noite) tinha que ganhar esses prêmios técnicos porque o filme de Paul Greengrass é “apenas” isso, além de ser muito barulhento.

Falando em transmissão, Rubens Ewald Filho chamou Kevin Costner e seu Dança Com Lobos de “erros da Academia”, assim como Coração Valente, de Mel Gibson. Ora, essa. Costner pode estar por baixo hoje, mas teve sua importância. Em 1991, quando Dança Com Lobos ganhou o Oscar, o ano deveria ter sido de Os Bons Companheiros e Martin Scorsese, claro. Mas daí a desmerecer Costner? Aquela época foi dele: Robin Hood, Dança Com Lobos, JFK, Campo dos Sonhos, Os Intocáveis

Particularmente, eu não agüentei as piadinhas pra cima de Diablo Cody, vencedora merecidíssima do Oscar de Melhor Roteiro Original, por Juno. Todo mundo sabe o quanto ela é esquisita e se estava mal vestida ou não, o problema é dela. Deixa a garota curtir o Oscar. Aliás, o comentarista ainda não acertou o nome de Menina de Ouro, de Clint Eastwood. Errou por duas vezes: Garota de Ouro e Garota Dourada. E que chatice falar sobre as escorregadas no palco de Colin Farrell e John Travolta. Vamos falar mais de cinema, ok?

Voltando ao verdadeiro Oscar (e não aquele exibido pelos canais nacionais), acho que o apresentador Jon Stewart se saiu muito bem. Fez ótimas piadas com o indiscutível talento de Cate Blanchett e as mulheres grávidas na cerimônia. Além de tudo, ele foi um gentleman ao trazer de volta a vencedora do Oscar de Melhor Canção, Marketa Irglova, que não pôde fazer seu discurso, já que a música do maestro da cerimônia, Bill Conti, tocou mais alto e obrigou o casal de Once a se retirar do palco.

E o que foi a derrota de Transformers no Oscar de Melhores Efeitos Visuais? Brincadeira, hein. A Bússola de Ouro? Por favor… O outro concorrente (Piratas do Caribe – No Fim do Mundo) também merecia mais do que a fantasia de Chris Weitz. Veja bem: Não estamos discutindo qual é o melhor desses três filmes necessariamente, mas sim qual deles apresentou os melhores efeitos visuais.

Gostei muito dos momentos de Marion Cotillard e Tilda Swinton. Não somente porque eram minhas preferidas em suas respectivas categorias, mas pela sinceridade e espontaneidade na hora dos discursos. Aliás, Tilda não chorou e nem agradeceu a Deus. Ela não esperava mesmo, mas manteve a classe de uma autêntica inglesa. Tilda agradeceu a George Clooney, brincou com ele por causa de Batman & Robin, e exaltou a carreira do colega, o grande astro de Hollywood, que além de amadurecer cada vez mais como ator, ainda é bom diretor, produtor e roteirista. Outras chances virão, Sr. Clooney.

Mas, para mim, a maior gafe da noite veio da própria Academia. Na tradicional (e emocionante) hora de homenagear os talentos falecidos entre o Oscar de 2007 e o de 2008, mostraram Michelangelo Antonioni, Deborah Kerr, Delbert Mann, Ingmar Bergman, Heath Ledger e tantos outros… Mas onde estava o grande Roy Scheider? Lamentável.

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