março 22nd, 2008

10.000 A.C.

Não sei se o diretor Roland Emmerich quis fazer uma aventura divertida ou se a intenção foi filmar uma comédia de ação. Se o herói pré-histórico D’Leh (Steven Strait) fosse interpretado por atores melhores como Renato Aragão ou Roberto Benigni, o ridículo 10.000 A.C. (10.000 B.C., 2008) ainda seria a mesma porcaria nas mãos do diretor de Independence Day, Godzilla e O Dia Depois de Amanhã. Esse é o pior filme de sua carreira. E olha que Godzilla é grotesco.

A história é o samba do crioulo doido: começa numa tribo de caçadores de mamutes, que é surpreendida pela chegada de Evolet, uma menina de olhos azuis. Ela cresce e vira a linda Camilla Belle, atriz filha de mãe brasileira. A Yoda da vila conhecida como Mãe Anciã sente que a garota é peça principal de uma profecia. O guerreiro D’Leh, o canastríssimo Steven Strait, tem o coração da moça, mas ela é raptada por uns nômades, que atravessam um deserto atrás de escravos para construirem pirâmides para um Deus gigante com unhas de Zé do Caixão. D’Leh vai ao fim do mundo para resgatar a amada e, no caminho, junta um exército que mais parece o elenco de Os Deuses Devem Estar Loucos. É mais ou menos isso. Quando você imagina que o filme não tem como piorar, Roland Emmerich surpreende com sua imensa criatividade. A coisa vai ladeira abaixo.

O erro já começa na criação de D’Leh, um herói confuso e atrapalhado. Em sua jornada, ele mata um mamute sem querer no melhor estilo Didi Mocó e faz amizade com um tigre dente-de-sabre – e ainda fala algo assim para o animal: “Vou te ajudar, então, vê se não me come”. Maravilhoso, não? Além disso, perto do final, flagramos D’Leh lutando no meio de uma multidão com um sorriso largo estampado no rosto. Será que Emmerich não viu isso na sala de montagem? Ou 10.000 A.C. é mesmo comédia? Mas a cena que me fez rir sozinho no cinema foi aquela do velho cego que sai da terra para explicar a origem dos vilões do filme. Aproveito aqui para pedir desculpas ao público daquela sala pelas altas gargalhadas. É triste, no entanto, saber que Roland Emmerich leva seu trabalho a sério.


Eu não aprendo mesmo… Muitos me avisaram sobre a ruindade deste filme. Pelo menos, eu esperava algo divertido. Mas foi dose resistir até o fim. Dessa vez não deu. Até os efeitos visuais decepcionam – o tigre parece falso como uma nota de R$ 3,00. Imagine só que O Escorpião Rei, com o Sr. The Rock, consegue ser superior a isso. Vocês pensam que Stallone faz filmes ruins? Ou Van Damme? Não gosta de Transformers? Ponto de Vista? Então, tente encarar esse “épico” de Roland Emmerich.

Olha, vai ser muito difícil ver um filme pior do que 10.000 A.C. neste ano. Talvez nem em 10.000 anos. Mas agora, já estou vacinado. Pode vir qualquer coisa que eu agüento.

10.000 A.C. (10.000 B.C., 2008)
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Harald Kloser
Elenco: Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis, Joel Virgel, Affif Ben Badra, Mo Zinal

Posts