A Testemunha
Não sou o único que não tinha ouvido falar em Amish antes de A Testemunha. Uma das maiores comunidades fica na Pensilvânia, onde o filme tem início. Os Amish formam um grupo religioso conservador, que não utiliza carros, telefones, eletrodomésticos e recusam as facilidades da sociedade moderna. É um lugar incomum que já tornaria o filme obrigatório. Conhecemos este mundo único pela personagem Rachel Lapp (Kelly McGillis), que acabou de perder o marido. Junto do filho de oito anos, Samuel (Lukas Haas), ela viaja rumo a Baltimore para visitar a irmã. Mas antes disso, ela precisa pegar um trem na estação da Filadélfia. Lá, Samuel vai ao banheiro e testemunha um assassinato. O menino será protegido pelo policial John Book (Harrison Ford), mas uma série de complicações nas investigações do caso leva o trio de volta a comunidade Amish, que funcionará como um esconderijo para despistar os assassinos. Mas engana-se quem pensa que A Testemunha é somente um thriller. O verdadeiro filme que Peter Weir quis fazer, começa neste exato momento. O roteiro de Earl W. Wallace e William Kelley é um dos melhores da década de 1980. A Testemunha pode ser visto como um thriller policial, um drama sobre os Amish e o inevitável choque cultural, e também como uma história de amor proibido. Outra forma de ver o filme, como eu o vejo, é juntar todos esses conflitos como partes essenciais de uma experiência única. John Book e Rachel Lapp estão apaixonados um pelo outro, mas não podem assumir isso. A própria Rachel tem um pretendente na comunidade, Daniel Hochleitner (Alexander Godunov), que tenta esconder o ciúme que toma conta de seu coração. A cena em que Book ajuda os Amish a construir um celeiro é magistral para celebrar o espírito do filme e a “competição” entre Book e Hochleitner. Mesmo assim, no calor do trabalho, o Amish dá a sua própria limonada para Book, que agradece. A cena inteira é a minha favorita do filme e me diz que a humanidade poderia ser perfeita e conviver em paz. Mas a verdade é que estragamos tudo. A cena não tem diálogos e essa ausência é substituída pela intensa trilha sonora do francês Maurice Jarre em uma das mais bonitas composições dos últimos 20 anos. Ao lado de John Williams e Ennio Morricone, Jarre é um dos maiores em seu ofício. David Lean sabia disso. Peter Weir é um ótimo cineasta, mas seu nome dificilmente é reconhecido ou colocado entre os grandes. É um diretor que filma pouco, talvez porque procure por roteiros que demonstrem temas que o levem a contar a mesma história em diferentes épocas ou situações. Weir foi indicado quatro vezes ao Oscar de Melhor Diretor, por A Testemunha, Sociedade dos Poetas Mortos, O Show de Truman e Mestre dos Mares, e ainda assinou outros belos trabalhos como Gallipoli, O Ano que Vivemos em Perigo, Green Card e Sem Medo de Viver. Muitos discordam, mas A Testemunha é o seu melhor filme. Harrison Ford tem uma de suas atuações mais emocionantes e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator por isso. O filme teve outras sete indicações, mas levou apenas as estatuetas de Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. A Testemunha é uma prova de que um filme não precisa necessariamente de um Oscar para viver eternamente.
A Testemunha (Witness, 1985)
Roteiro: Earl W. Wallace e William Kelley
Elenco: Harrison Ford, Kelly McGillis, Lukas Haas, Josef Sommer, Danny Glover, Jan Rubes, Alexander Godunov, Brent Jennings e Viggo Mortensen




Perfeito


Ainda não vi A Testemunha, mas depois do seu texto vou conferir com certeza.
É verdade, nenhum filme precisa de um Oscar para viver eternamente. O Oscar é uma heresia que nossa sociedade competitiva e “doente” precisa premiar apenas 1 filme, sendo que há muitos merecedores todo anos de “Oscar”. A história mostra que há muitos esquecidos e outros tanto que ganharam e hoje ninguém se lembra. Sendo assim, fico até feliz que “Na natureza Selvagem” não tenha sido indicado, pois é um filme muito à frente de seu tempo e com um tema que em nada agrada o povo de Hollywood. Sean Penn agradece, pois também dá de ombros para o “Oscar”. Peter Weir também fez os seguintes filmes merecedores de nota: “Piquenique na Montanha Misteriosa” e ” A última Onda”.
“Galipolli” é o meu favorito. Parabéns Otávio, é um diretor que poucos conhecem e que merece ser lembrado.
Adoro esse filme, Otavio! Realmente é 5 estrelas. Ainda prefiro “Sociedade dos Poetas Mortos” entre os trabalhos do Weir, mas “A Testemunha” também é perfeito.
Curiosamente não tinha ouvida falar desse antes. Talvez de relance tenha visto o nome em algum lugar, mas nunca imaginava que fosse tão bom. Voce me intrigou, me deixou verdadeiramente curioso. Procurarei para assitir, com toda certeza, principalmente porque gosto de Weir e Ford.
Ciao!
Nunca assisti a este filme, Otavio. Gosto muito do Peter Weir e, com certeza, esse “A Testemunha” já está na listinha de filmes para assistir.
Beijos.
Hmm… Muitos ainda não viram A TESTEMUNHA. Recomendo que procurem o DVD o quanto antes. É um filmaço!
Abs!
Otavio, seus cometários acerca do filme despertaram em mim uma vontade imensa de conferi-lo. E mais: como sei que nenhuma videolocadora daqui o tem disponível no acervo, vou comprar o dvd numa loja do shopping que vi, e sabe a que preço? 12,99. Pechincha total. Como ele concorreu ao Oscar ao lado de “A Cor Púrpura” e Entre Dois Amores”, dois filmes que adoro, e muitos dizem que deveria ter ganho, só fico mais e mais tentado a ver “A Testemunha”.
É mesmo pena que a Humanidade tenha evoluído para isto que você citou. TODOS nós temos um pouco de egoísmo, preconceito, orgulho, inveja dentro de nós, mesmo que pouco ou muito. É triste pensar que o ser humano podia ser diferente, mas simplesmente não o é.
Abraço!
ADOREI sua crítica, parabéns!