abril 29th, 2008

Aos fãs de Keanu Reeves


Primeiramente, sejam bem-vindos! Como vocês ficaram bravos comigo na crítica de Os Reis da Rua, sinto-me na obrigação de reconhecer a importância de Keanu Reeves na história do cinema.

O Sr. Reeves foi ninguém menos do que o herói mitológico da década de 1990. É inegável que Neo, o protagonista de Matrix, marcou o cinema de ação, aventura e, principalmente, ficção científica. Na fantasia dos Irmãos Wachowski, não importa se o Sr. Reeves é bom ator ou não. Do mesmo modo como não vale bater em Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, de Star Wars. Ou Harrison Ford, que apesar de considerado como “astro do século” (passado), ele jamais foi admirado como um ator de primeira linha. Astro, mas não ator.

Quem se importa, não é verdade? Muitos atores passam a vida inteira tentando, mas não têm a sorte (ou o mérito) dos exemplos citados: Keanu Reeves, Harrison Ford e Mark Hamill. São nomes que viverão para sempre no imaginário e no coração dos cinéfilos. Independentemente de outros aspectos analisados, eles são reconhecidos pelo brilho natural na tela. Isso é heroísmo.

Mas diferente dos astros acima, Johnny Depp já era respeitado como ator antes da explosão de Piratas do Caribe. Tobey Maguire também tinha um certo reconhecimento antes de Homem-Aranha. Pode ser o caso de Robert Downey Jr, após Homem de Ferro, que estréia amanhã no País. Mas não importa. Tais nomes marcaram personagens inesquecíveis na galeria de heróis do cinema. Isso basta.

Acho que os melhores filmes da carreira do Sr. Reeves são Drácula de Bram Stoker e, claro, Matrix. Confesso que também gosto de Matrix Reloaded, mas quebrei a cara no terceiro. Com isso, o episódio do meio ficou um tanto… inacabado.

Só acho que o Sr. Reeves poderia ser muito mais do que ele é. Suas escolhas pós-Matrix não foram tão memoráveis. E como astro em Hollywood, ele pode selecionar o roteiro que bem entender. Por exemplo, O Homem Duplo é um trabalho intrigante de Richard Linklater, mas as histórias de Philip K. Dick já tiveram dias melhores no cinema. Já Constantine, que também tem bons momentos, não passa de um filme (no máximo) mediano.

Mesmo assim, antes de Os Reis da Rua (e Matrix), Keanu Reeves foi heróico tanto na pele de protagonista de Velocidade Máxima quanto em dizer “não” para a seqüência ridícula com Sandra Bullock, Jason Patric e… Carlinhos Brown. Ou seja, ele até que cuidou bem da carreira até chegar a Matrix.

O Sr. Reeves tem status, mas precisa fazer grandes filmes. É a velha cobrança de sempre. Não adianta somente atuar ao lado de nomes como Jack Nicholson, Diane Keaton, Forest Whitaker e Hugh Laurie. Ele precisa justificar esse status de astro em bons filmes. Atuação pode até ser um detalhe na vida de um astro, mas veja só o Johnny Depp – ele não será somente o Jack Sparrow, de Piratas do Caribe. E não sei se Keanu Reeves ainda voltará a ser Neo, como Harrison Ford fez com Indiana Jones. Então, a hora para provar aquilo que falta em sua carreira é agora.

Para mim, Neo é o bastante. Em Matrix, Keanu Reeves é sensacional. Não imagino outro ator em seu lugar. Sua contribuição como o grande herói do cinema nos anos 1990 será idolatrada para sempre. Mas a discussão iniciada com a crítica de Os Reis da Rua continua no próximo filme de Keanu Reeves.

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