abril 6th, 2008

Charlton Heston, o maior

(1924-2008)

Nas telas, Charlton Heston foi um dos maiores. Fora delas, uma figura polêmica, discutível. Em sua profissão, ficou marcado por épicos gigantescos da era de ouro de Hollywood como Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, El Cid e Agonia e Êxtase, além de filmes fantásticos como Planeta dos Macacos, A Última Esperança da Terra e Terremoto.

Heston fez filmes maiores do que a vida e foi um dos grandes astros do cinema. Apesar de sua eterna ligação a personagens históricos, ele protagonizou um dos melhores filmes de Orson Welles, o noir A Marca da Maldade – para mim, o maior do diretor de Cidadão Kane. Também gosto muito de um filme que ele fez com Cecil B. DeMille, que muita gente odeia: O Maior Espetáculo da Terra.

Como fã dos livros de O Senhor dos Anéis, sempre imaginei Charlton Heston como o mago Gandalf. Achava que seria legal convidá-lo para o filme, por sua imagem ligada a épicos. Enfim, o diretor Peter Jackson quis Sean Connery, mas ficou com Ian McKellen, que fez um trabalho extraordinário e tornou impossível pensar em qualquer outro ator como Gandalf.

Quando penso no ator, mesmo com tantos filmes num currículo espetacular, lembro de duas cenas magníficas: a última de Planeta dos Macacos e a fantástica corrida de bigas, em Ben-Hur. O épico de William Wyler é um dos maiores do cinema. Foi feito na marra, sem a facilidade dos efeitos digitais de hoje. Até hoje, Ben-Hur impressiona e é referência.

Hoje, o cinema amanheceu triste. Na verdade, o ano está difícil. Heath Ledger, Anthony Minghella, Roy Scheider e, agora, Charlton Heston. Não tive idade para ver Heston nos cinemas, mas ele foi um dos meus heróis nas telas. Quando vi Gladiador, disse ao meu pai o quanto eu estava impressionado com o filme e a atuação de Russell Crowe. Na hora, ele respondeu com perguntas: “Você já viu Spartacus, com Kirk Douglas? Ou Ben-Hur, com Charlton Heston?” Ele tinha razão.

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