abril 8th, 2008

Horton e o Mundo dos Quem!


O elefantinho fofinho Horton (voz de Jim Carrey) descobre que há vida dentro de um grão. É a Quemlândia, um mundo povoado por seres microscópicos. O simpático e atrapalhado Horton sabe que a selva é perigosa para o grão e precisa protegê-lo até encontrar um local seguro. Em sua jornada, o elefantinho bonitinho alerta o Prefeito dos Quem (voz de Steve Carell) para as constantes ameaças que a Quemlândia enfrenta, mas que seus habitantes não têm conhecimento. Com receio das conseqüências dos ideais de Horton, alguns animais extremistas, que parecem a Santa Inquisição, querem a cabeça (ou a tromba) do herói. Só porque o lema de Horton é: “Uma pessoa é uma pessoa, não importa o seu tamanho.”

A teoria é legal, mas não se engane. Fruto da mente criativa do Dr. Seuss, autor de cerca de 40 livros infantis como How the Grinch Stole Christmas e The Cat in the Hat, a trama de Horton e o Mundo dos Quem! (Horton Hears a Who!, 2008) é assumidamente infantil. Por muitos anos, o escritor e cartunista fez o imaginário das crianças americanas e garantiu um lugar cativo na cultura dos EUA. Mas o Dr. Seuss nunca foi tão popular no Brasil. Aqui, o negócio é Maurício de Sousa e a sua Turma da Mônica.

Pela fidelidade ao livro original, a emoção oferecida pela animação Horton e o Mundo dos Quem!, do Blue Sky Studios (responsável por A Era do Gelo), atingiu em cheio o público americano. No Brasil, animações sempre vão bem nas bilheterias, mas apesar das curiosas metáforas inseridas na trama, Horton e o Mundo dos Quem! pretende mesmo é dialogar com a criançada, especialmente os pequeninos até cinco anos de idade. Meninos e meninas com mais do que isso, já terão vergonha de serem vistos na fila do filme.

Há muito tempo que eu não vejo uma animação voltada quase que exclusivamente para a garotada. Para os adultos, duas dicas: 1) Ou Horton e o Mundo dos Quem! desperta o menino (ou a menina) que cresceu com as histórias do Dr. Seuss ou; 2) É melhor levar seu filho, sobrinho ou irmãozinho nessa sessão.

Ao adulto, nem ao menos resta a discussão da frase “Uma pessoa é uma pessoa, não importa o seu tamanho” ou do grito “Nós estamos aqui”, que surge perto do final. Alguns radicais que procuram mensagens (ou problemas) na arte usaram Horton e o Mundo dos Quem! em discursos contra o aborto e pesquisas com células embrionárias. Mas se é assim, a animação também luta pela preservação da natureza e a igualdade entre povos e raças. Não sei se o Dr. Seuss teve essa intenção, mas sua obra se tornou domínio público. Eu acho bobagem, porque se há alguma teoria, a prática de Horton e o Mundo dos Quem! é a diversão para a criançada.

Em sua parte técnica, a animação é maravilhosa e serve muito bem ao roteiro voltado para gente miúda. A verdade é que achei o humor bobo para adultos (ou meninões como eu). Todos os personagens entram em cena tropeçando, batendo a cabeça, etc. E é uma pena que a premissa sobre a existência de diversos mundos seja concluída de forma infantil. Sei que estou pedindo demais, mas acredito que Horton e o Mundo dos Quem! funcione mais com os meninões americanos. Ou com o público-alvo de canais como Discovery Kids e Baby TV.

Horton e o Mundo dos Quem! (Horton Hears a Who!, 2008)
Direção: Jimmy Hayward e Steve Martino
Roteiro: Ken Daurio e Cinco Paul (Adaptado do livro do Dr. Seuss)

Com as vozes de Jim Carrey, Steve Carell, Carol Burnett, Seth Rogen, Will Arnett, Dan Fogler, Amy Poehler e Isla Fisher

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