abril 17th, 2008

O mapa de Australia

O australiano Baz Luhrmann é um diretor ousado. Quem se arrisca é capaz de fazer grandes filmes. Ou grandes bombas. Mas esse é o caminho. Por tentar inovar a estrutura e a linguagem da narrativa, Luhrmann merece respeito e admiração. Mesmo de quem não gosta de seus filmes extravagantes.

No momento, ele trabalha no épico Australia. Até aqui, as fotos divulgadas revelam que este pode ser o filme romântico do ano. Ao menos isso, afinal há muita conversa paralela em Hollywood a respeito do projeto. Uma delas é sobre o potencial do roteiro de Stuart Beattie (Colateral), Ronald Harwood (O Pianista) e Richard Flanagan para ser aclamado como “O novo E o Vento Levou“.

Recluso desde 2001, quando dividiu opiniões com seu musical Moulin Rouge (mas que tem mais fãs do que se imagina), Lurhmann tentou fazer Alexandre, O Grande, com Leonardo DiCaprio, mas não foi mais rápido do que Oliver Stone, que dirigiu aquele desastre com Colin Farrell no papel principal.

Com a saga de Alexandre deixada para trás, Baz Luhrmann desenvolveu Australia com extrema paciência. Exigente e com um belo olhar para detalhes, Luhrmann planeja algo realmente grande para o filme, que não poderia deixar de ter a presença da musa do diretor, Nicole Kidman.


Se Australia será o novo E o Vento Levou, ainda é cedo para discutir. Hollywood sabe se promover. Aliás, pouco se sabe da visão de Baz Luhrmann referente a este filme. Alguns dizem que é um musical, enquanto outros imaginam que se trata de um épico romântico bem sério. Não se sabe nem mesmo se o diretor continuará com a montagem histérica utilizada em Romeu + Julieta e Moulin Rouge. Pode até ser uma mudança de ares para Luhrmann, assim como Sangue Negro foi para o cinema de Paul Thomas Anderson.

Talvez Australia faça com que a Academia se reencontre com sua tradicional preferência por épicos românticos. Veja só: Moulin Rouge foi ousado demais e recebeu oito indicações ao Oscar, mas levou apenas duas estatuetas (Direção de Arte e Figurino). Graças a Baz Luhrmann, o musical voltava com tudo a Hollywood – ainda que causando uma certa estranheza pela roupagem moderninha. No ano seguinte, em 2002, a conseqüência foi o caminho aberto para o gênero, que se consagrou (novamente) com um filme mais convencional que Moulin Rouge e que apostou no velho estilo Broadway idolatrado pelos americanos. Resultado? Chicago ganhou seis Oscars, incluindo Melhor Filme.

Tudo isso para voltar ao assunto “Academia X Épicos Românticos”. Neste ano, tivemos o deslumbrante, apaixonante Desejo e Reparação, de Joe Wright. Embora tenha disputado o prêmio principal, o filme ganhou um Oscarzinho só de Melhor Trilha Sonora. Há pouco tempo, um belo épico (e de preferência, romântico) costumava ser aposta certa no Oscar. Atualmente, a Academia anda preocupada com sua seriedade questionável e prefere “filmes de críticos” como Onde os Fracos Não Têm Vez. E, claro, a Academia está se renovando e conta com muitos jovens hoje em dia.

Mas talvez Desejo e Reparação tenha deixado um caminho rumo ao Oscar para um bom representante do gênero, que pode vir a ser Australia. O que pode ajudar: muita gente torceu por Moulin Rouge no Oscar 2002. E muitos reclamaram da ausência de Baz Luhrmann na categoria de Melhor Diretor. Enfim, esse pode ser o ano da consagração deste irreverente cineasta. E da reconciliação da Academia com épicos românticos.


Deixando os prêmios um pouco de lado, Australia vem aí cheio de aspectos interessantes. O maior deles é a reunião de uma equipe quase que inteiramente de australianos. Quando tudo começou para este sonho de Baz Luhrmann, o diretor imaginou os conterrâneos Nicole Kidman e Russell Crowe fazendo par romântico. Mas a agenda de Crowe anda lotada, principalmente por causa de sua duradoura parceria com o diretor Ridley Scott. De qualquer forma, isso não foi um problema.

Luhrmann convidou Hugh Jackman, que aceitou. Aliás, essa pode ser a grande chance de Jackman depois de seu papel como Wolverine. É verdade que X-Men abriu as portas para o astro, mas até agora, ele não foi reconhecido como um ator que saiba… atuar. E ele sabe. Mas como Hollywood tem a mente que tem, quando os estúdios pensam num australiano para um filme, eles logo imaginam Russell Crowe. Como Baz Luhrmann fez. De repente, Australia talvez seja o Gladiador de Hugh Jackman.

A trama do filme se passa obviamente numa Austrália às vésperas da Segunda Guerra Mundial (Hmm… Romance + Tragédia Histórica = Oscar?). Neste cenário, Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) recebe uma fazenda de herança, mas o local é cobiçado por um barão. Um cowboy (Hugh Jackman) decide ajudá-la, mas um problema ainda maior surge na frente do casal: o bombardeio japonês da cidade de Darwin, na Austrália.


A expectativa em torno do épico é imensa. Muita coisa vai rolar até o dia 14 de novembro, quando o filme estrear nos EUA. Ainda nem temos um trailer para conferir parte do resultado. Mas tudo indica que Baz Luhrmann se arriscou novamente. E é assim que nascem os grandes filmes. Ou bombas. A tentativa já é louvável. Australia tem estréia prometida para o dia 25 de dezembro no Brasil.

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