maio 16th, 2008

Anti-Indiana Jones

Já li comentários alegando que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filme desnecessário. De fato, nem mesmo O Templo da Perdição precisava ter sido feito, afinal Os Caçadores da Arca Perdida é uma obra completa. Mas se as continuações de Indiana Jones são desnecessárias, o que dizer de A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão, a terceira aventura da série estrelada por Brendan Fraser? Alguém no mundo pediu por isso? Talvez os executivos da Universal.

Em 1999, A Múmia veio como aperitivo para o prato principal da temporada: Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma (note que estou falando das estratégias de marketing, pois todo mundo sabe que Matrix foi o verdadeiro e único grande blockbuster naquele ano). O diretor picareta Stephen Sommers ganhou a oportunidade de recriar um clássico do terror da Universal em formato de aventura no estilo Indiana Jones – só que carregada de efeitos digitais. O resultado é divertido e só. Mas A Múmia faturou uma boa grana e o estúdio encomendou uma seqüência com mesmo elenco e diretor.

Em O Retorno da Múmia, de 2001, Sommers repetiu tudo o que se viu no primeiro. A diferença é que ele recebeu mais dinheiro para gastar em muitos efeitos visuais, incluindo a artificial e horrorosa criação do Escorpião Rei (The Rock). Aliás, Sommers fez um bem danado ao cinema quando revelou o “talento” de Dwayne “The Rock” Johnson. No mesmo ano, no entanto, Peter Jackson lançou O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, e ninguém lembrou que O Retorno da Múmia existiu.

A verdade é que A Múmia I e II são filmes sem alma. Não passam de produtos gerados por reuniões entre executivos dos grandes estúdios. Os efeitos especiais de A Múmia são os protagonistas de uma trama requentada desde Os Caçadores da Arca Perdida. A principal diferença entre as aventuras de Rick O’ Connell e Indiana Jones está na magia e na empatia gerada pelos atores, além de competência em roteiro e direção. Stephen Sommers não é Steven Spielberg.

Desta vez, em A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão, a Universal chamou o diretor Rob Cohen, o responsável pela bomba Velozes e Furiosos. Cheio da grana, Sommers foi cuidar de G.I. Joe, que estréia em 2009. A necessidade de fazer uma terceira aventura era tão grande, que nem mesmo a ausência de Rachel Weisz foi um problema – Cohen conta com Maria Bello, no papel de Evelyn, a esposa do aventureiro Rick O’ Connell (Brendan Fraser). A troca não importa. O que vale é o filme estrear e faturar. Pelo menos, fomos poupados da volta de Imhotep (Arnold Vosloo). Isso quer dizer que não veremos as caras e bocas da criatura usando seus poderes para erguer mares e tempestades de areia – nem os famosos gritos desesperados: “Anck-su-Namuuuuuuuuuuun!”

Trailer do novo filme já está na rede

O primeiro trailer de A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão foi divulgado hoje. O diretor prometeu que a prévia deixaria o público com o queixo no chão. Sem gozação, mas parece uma mistura de Os Aventureiros do Bairro Proibido, de John Carpenter, e Herói, um dos épicos de artes marciais do cineasta Zhang Yimou. De qualquer forma, avalie você mesmo:

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