maio 14th, 2008

Fernando Meirelles e o reino da crítica de cristal

Na abertura do Festival de Cannes, o diretor Fernando Meirelles posou para fotos ao lado do elenco de Blindness: Yoshino Kimura, Alice Braga, Don McKellar, Julianne Moore, Danny Glover e Gael Garcia Bernal.

Apesar da recepção calorosa dos fotógrafos, Meirelles recebeu críticas frias pelo filme. Os poucos elogios não foram assim tão empolgantes. Ninguém achou Blindness maravilhoso.

Na verdade, minha opinião jamais é afetada pelas resenhas dos críticos especializados. Mas me preocupo por Fernando Meirelles, que é um cineasta talentoso e não merece iniciar a divulgação de seu filme dessa maneira.

Acho que a exposição de Cannes é exageradamente visceral. Quando um filme detonado na Croisette chega ao Brasil, muitos vão aos cinemas com o pé atrás. Não falo da crítica em geral. Ela sempre existirá. Isso é óbvio. Só penso que Cannes não respeita o cinéfilo, que aguarda ansiosamente por alguns títulos que serão exibidos pela primeira vez neste festival. Como Cannes acontece sempre no início do ano, os filmes são distribuídos pelo mundo com as opiniões de quem esteve presente no festival. É um perigo.

Veja o caso de Onde os Fracos Não têm Vez, por exemplo. Exibido em Cannes no ano passado, o filme dos Irmãos Coen não levou nada. Muitos críticos desdenharam dos cineastas pelo fato de terem saído de mãos vazias. Li comentários do tipo. Mas o que aconteceu depois? O filme chegou ao resto do mundo e ganhou mil elogios, além de quatro Oscars. O cinema existe para o público. Não para a crítica.

A impressão é que Cannes é um lugar de donos de verdades absolutas ou dos reis da cocada preta. Eu não acredito tanto assim nos comentários gerais de Cannes. E você?

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