maio 20th, 2008

Indiana Jones e a Última Cruzada

The Last Crusade 2
Minha teoria é a seguinte: Os Caçadores da Arca Perdida definiu um padrão para os filmes de ação e aventura. Indiana Jones e o Templo da Perdição não repetiu o original em nada e (goste ou não) jogou o ritmo e o clima de aventura em outro terreno. A intenção de Steven Spielberg e George Lucas sempre foi oferecer diversão de qualidade ao público, mas o primeiro filme é mais simples, iluminado e criativo. O segundo é mais exagerado, sombrio e violento.

Depois disso, o gênero foi imitado e reciclado à exaustão por Hollywood, que sempre buscou um substituto para Indiana Jones. O status da série tornou praticamente impossível injetar criatividade a qualquer outro filme do gênero ou até mesmo em um futuro episódio de Indiana Jones. Pois então imagine qualquer trama para continuar a saga iniciada em 1981. Difícil fugir de elementos que esbarrem no que já foi mostrado em Os Caçadores da Arca Perdida e O Templo da Perdição, não?

Se Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989) não tem essa importância para o cinema como os filmes anteriores da série, a terceira parte entrega tudo o que os fãs poderiam esperar de mais uma aventura do herói, além de uma agradável surpresa: Sean Connery.

Seguindo a tradição, A Última Cruzada é diversão do começo ao fim. Mas apesar do início nostálgico com o jovem Indy interpretado por River Phoenix, o filme só parece decolar de vez com a entrada de Sean Connery em cena como o pai do arqueólogo. Outro detalhe: diferente dos outros longas, A Última Cruzada é carente de um vilão marcante como Belloq (Paul Freeman), de Os Caçadores da Arca Perdida, e Mola Ram (Amrish Puri), de O Templo da Perdição.

The Last Crusade
Você reparou que eu não apontei falhas em roteiro, direção, atuação, etc? Acho que os filmes de Indiana Jones só querem divertir. Ponto final. Se a maioria dos blockbusters do verão americano tivessem tal capacidade, a vida seria bem melhor. No caso de Indiana Jones, especificamente o terceiro filme da série, não entendo como alguém pode reclamar que faltou isso ou aquilo. Ninguém esperava por uma revolução ou uma reinvenção. A Última Cruzada foi feito para o fã da série. E um fã, como eu, pode reclamar dos pontos colocados no parágrafo acima. Não há defeito, apenas observações de um fã. E A Última Cruzada pode e deve ser visto separadamente. Por que não? Fica perfeito.

Desta vez, Indy (Harrison Ford) parte em busca do Santo Graal, uma obsessão na vida de seu pai, o Professor Henry Jones (Connery). Demora um pouco até os dois se encontrarem, mas até esse momento chegar, o roteiro conduz a história com a paciência que falta nos atuais filmes de entretenimento. E isso é uma regra na série. As aventuras de Indy sempre abrem com uma seqüência de ação não necessariamente ligada ao restante da trama. Depois, vem a explicação do artefato que Indy fará de tudo para pegar antes de vilões sedentos por poder. E então, Spielberg enche os minutos seguintes de ação ininterrupta. Sempre foi assim. A Última Cruzada não é diferente.

Temos cenas espetaculares, incluindo perseguições infinitas de motos, lanchas, tanques e aviões, mas o que fica é a relação entre pai e filho – uma das mais belas e fortes já mostradas pelo cinema. Aliás, a presença ou ausência do pai na vida do filho é uma das abordagens do cinema de Steven Spielberg. Em A Última Cruzada, ele une o útil ao agradável. O acerto de contas de Indy com o pai se dá nos detalhes. Há uma cena magnífica dentro de um dirigível quando Indy reclama da falta de carinho do pai durante a infância do herói. O diálogo inteiro é de uma honestidade absurda num filme do gênero.

A aventura da busca pelo Graal serve somente para unir os dois. No fim, quando o cálice se perde para sempre, Indy pergunta ao pai o que tudo aquilo significou para ele. O velho Henry Jones responde: “Iluminação.” Logo em seguida, é a vez do pai perguntar a mesma coisa ao filho. Ele não chega a dizer, mas a resposta é óbvia: Indy também foi iluminado. E isso quer dizer que ele reencontrou e compreendeu o pai.

Quando lembramos do filme, as cenas de ação ficam na mente, mas é essa história de pai e filho que permanece no coração. Por ser o mais sentimental dos três primeiros filmes, A Última Cruzada é o favorito entre os fãs mais novos (e também de Spielberg, Lucas e Ford). O carisma de Sean Connery foi fundamental para que todos pudessem alcançar o resultado esperado.

É um filme que vive para sempre. Mesmo que não tenha a importância e a originalidade de Os Caçadores da Arca Perdida e O Templo da Perdição. A maior conquista de A Última Cruzada está no carinho dos fãs, que é o mesmo para cada um dos episódios. E isso é raridade numa série feita para o cinema.

Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Jeffrey Boam
Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, John-Rhys Davies, Alison Doody, Julian Glover e River Phoenix

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