Indiana Jones e a Última Cruzada

Minha teoria é a seguinte: Os Caçadores da Arca Perdida definiu um padrão para os filmes de ação e aventura. Indiana Jones e o Templo da Perdição não repetiu o original em nada e (goste ou não) jogou o ritmo e o clima de aventura em outro terreno. A intenção de Steven Spielberg e George Lucas sempre foi oferecer diversão de qualidade ao público, mas o primeiro filme é mais simples, iluminado e criativo. O segundo é mais exagerado, sombrio e violento.
Depois disso, o gênero foi imitado e reciclado à exaustão por Hollywood, que sempre buscou um substituto para Indiana Jones. O status da série tornou praticamente impossível injetar criatividade a qualquer outro filme do gênero ou até mesmo em um futuro episódio de Indiana Jones. Pois então imagine qualquer trama para continuar a saga iniciada em 1981. Difícil fugir de elementos que esbarrem no que já foi mostrado em Os Caçadores da Arca Perdida e O Templo da Perdição, não?
Se Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989) não tem essa importância para o cinema como os filmes anteriores da série, a terceira parte entrega tudo o que os fãs poderiam esperar de mais uma aventura do herói, além de uma agradável surpresa: Sean Connery.
Seguindo a tradição, A Última Cruzada é diversão do começo ao fim. Mas apesar do início nostálgico com o jovem Indy interpretado por River Phoenix, o filme só parece decolar de vez com a entrada de Sean Connery em cena como o pai do arqueólogo. Outro detalhe: diferente dos outros longas, A Última Cruzada é carente de um vilão marcante como Belloq (Paul Freeman), de Os Caçadores da Arca Perdida, e Mola Ram (Amrish Puri), de O Templo da Perdição.

Você reparou que eu não apontei falhas em roteiro, direção, atuação, etc? Acho que os filmes de Indiana Jones só querem divertir. Ponto final. Se a maioria dos blockbusters do verão americano tivessem tal capacidade, a vida seria bem melhor. No caso de Indiana Jones, especificamente o terceiro filme da série, não entendo como alguém pode reclamar que faltou isso ou aquilo. Ninguém esperava por uma revolução ou uma reinvenção. A Última Cruzada foi feito para o fã da série. E um fã, como eu, pode reclamar dos pontos colocados no parágrafo acima. Não há defeito, apenas observações de um fã. E A Última Cruzada pode e deve ser visto separadamente. Por que não? Fica perfeito.
Desta vez, Indy (Harrison Ford) parte em busca do Santo Graal, uma obsessão na vida de seu pai, o Professor Henry Jones (Connery). Demora um pouco até os dois se encontrarem, mas até esse momento chegar, o roteiro conduz a história com a paciência que falta nos atuais filmes de entretenimento. E isso é uma regra na série. As aventuras de Indy sempre abrem com uma seqüência de ação não necessariamente ligada ao restante da trama. Depois, vem a explicação do artefato que Indy fará de tudo para pegar antes de vilões sedentos por poder. E então, Spielberg enche os minutos seguintes de ação ininterrupta. Sempre foi assim. A Última Cruzada não é diferente.
Temos cenas espetaculares, incluindo perseguições infinitas de motos, lanchas, tanques e aviões, mas o que fica é a relação entre pai e filho – uma das mais belas e fortes já mostradas pelo cinema. Aliás, a presença ou ausência do pai na vida do filho é uma das abordagens do cinema de Steven Spielberg. Em A Última Cruzada, ele une o útil ao agradável. O acerto de contas de Indy com o pai se dá nos detalhes. Há uma cena magnífica dentro de um dirigível quando Indy reclama da falta de carinho do pai durante a infância do herói. O diálogo inteiro é de uma honestidade absurda num filme do gênero.
A aventura da busca pelo Graal serve somente para unir os dois. No fim, quando o cálice se perde para sempre, Indy pergunta ao pai o que tudo aquilo significou para ele. O velho Henry Jones responde: “Iluminação.” Logo em seguida, é a vez do pai perguntar a mesma coisa ao filho. Ele não chega a dizer, mas a resposta é óbvia: Indy também foi iluminado. E isso quer dizer que ele reencontrou e compreendeu o pai.
Quando lembramos do filme, as cenas de ação ficam na mente, mas é essa história de pai e filho que permanece no coração. Por ser o mais sentimental dos três primeiros filmes, A Última Cruzada é o favorito entre os fãs mais novos (e também de Spielberg, Lucas e Ford). O carisma de Sean Connery foi fundamental para que todos pudessem alcançar o resultado esperado.
É um filme que vive para sempre. Mesmo que não tenha a importância e a originalidade de Os Caçadores da Arca Perdida e O Templo da Perdição. A maior conquista de A Última Cruzada está no carinho dos fãs, que é o mesmo para cada um dos episódios. E isso é raridade numa série feita para o cinema.
Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Jeffrey Boam
Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, John-Rhys Davies, Alison Doody, Julian Glover e River Phoenix



Perfeito


Pensei bastante e acabei colocando A ÚLTIMA CRUZADA não em último, mas em terceiro lugar. Ah, esse foi o único INDY que eu vi no cinema. Estou ficando velho…
Abs a todos!
Esse é o meu preferido dos três. Acho que Sean Connery é a melhor coisa do filme.
Bjs
Você não está velho amigo
apenas adquirisse experiencias que nós iremos ter a partir de hoje ou amanhã … de ver um icone unico no cinema fazendo a alegria de todos …
e pensava que também esse filme fosse 5 estrelas … mas deixe pra lá …é filmão e pronto ou como digo em meu blog … Indispensavel!
Putz! Eu estava com sono ontem… São cinco estrelas mesmo.
Abs!
Otávio, considero A última Cruzada em 2º lugar, pois o roteiro é infinitamente melhor que Templo da Perdição, que apesar de divertidíssimo, possui cenas exageradas e alguns pequenos lapsos. E não se compara o gigantesco “sidekick” Sean Connery (que dá muita credibilidade ao filme) com o pequeno porém divertido sidekick Short Round de Templo da Perdição. Nada contra o garoto, que faz muito bem seu papel, só acho que foram dadas cenas demais a ele, o que tira um pouco da parte crível do filme, entende? Já o primeiro filme da série é hours concours e como dizem os americanos tem aquele “sense of wonder” que todo filme clássico precisa ter. Caçadores da caça perdida é o exemplo a ser seguido e eu bato em alguém que falar mal do clássico “mais divertido” da história do cinema, rsrs. Abraços.
ah … discurpa
eheheh
mas tudo bem … o importante é ver esse belo filme …
Concordo que o carisma de Sean Connery é fundamental para este “A Última Cruzada”. O filme recupera o fôlego depois da segunda parte mediana e é o meu segundo favorito da série, perdendo para “Os Caçadores da Arca Perdida”.
Beijos!
Caçadores da caça perdida foi boa…rsrs. Em relação às Indy Girls concordo que a terceira Indy Girl, Alison Doody, é a mais bonita e sexy dos três filmes, mas Karen Allen é mais atriz e tem um carisma que bate de frente com Harrison Ford. Já no segundo filme há outro ponto fraco, que é a atriz Kate Capshaw, que mesmo tendo um bom papel, não se saiu tão bem assim, pois ela ou Spielberg optaram por fazer mais aquele gênero “caricato e histérico”, que agrada o público mais popular…
Eu vi A última cruzada no cinema também… lagriminhas.
Belo post!
Gosto muito desse “Indiana”, Otavio, até mais que o segundo. Acho que o Spielberg retomou muito bem a série e por isso muita gente considera esse como o melhor – para mim ainda perde para “Os Caçadores da Arca Perdida”, uma das obras-primas do diretor.
legal!!!!
legal
demais!
gostei bastante