maio 26th, 2008

O mundo conhece Sandra Corveloni


Desde ontem que não se fala em outra coisa quando o assunto é cinema. Pelo menos, aqui, no Brasil. Neste domingo, a paulistana Sandra Corveloni desbancou favoritas como Angelina Jolie ao merecer o prêmio de Melhor Atriz do 61º Festival de Cannes, por seu desempenho em Linha de Passe, o novo filme de Walter Salles e Daniela Thomas.

Linha de Passe conta a história de Cleuza (Sandra Corveloni), empregada doméstica e mãe de quatro filhos (e à espera do quinto). Um deles cultiva o sonho de se tornar um jogador de futebol.

A discussão nacional em torno do nome de Sandra Corveloni é reforçada pelo fato da atriz ter repetido a façanha da grande Fernanda Torres, que ganhou o mesmo prêmio em 1986, por Eu Sei que Vou te Amar. Mas há um “pequeno” diferencial (sem desmerecer o imenso talento de Fernandinha): Sandra Corveloni não é uma atriz “Global”. E isso deve ser valorizado. Ainda mais por saber que, aos 43 anos, ela foi homenageada pelo júri de Cannes sem, ao menos, ter o rosto reconhecido nas ruas pelos próprios brasileiros.
Formada em teatro pela PUC-SP, Sandra Corveloni é atriz do sensacional Grupo Tapa. Sua vitória em Cannes foi uma prova de que cinema não deve ser tratado como produto. O cinema é feito por artistas talentosos e, infelizmente, muitos deles não têm uma única chance para brilhar. Não é só aqui no Brasil, mas a arte vem ganhando um tratamento cínico. Alguma coisa se perdeu no tempo quando lembramos que estúdios ou emissoras de TV preferem trabalhar a imagem de um rostinho bonito com corpo sarado. O talento deveria vir em primeiro lugar. Mas fazer o quê? A arte virou produto para consumo em massa de adolescentes e o público jovem quer investir em produções protagonizadas por atores e atrizes com idades até, no máximo, 40 anos. E olhe lá. Hoje em dia, o público quer se ver na tela representado por astros e estrelas jovens. É só ligar a TV ou escolher nove entre 10 filmes em cartaz nos cinemas e você entenderá o que estou dizendo. Nós reclamamos diariamente da falta de talento, mas a culpa também é nossa.

Sandra Corveloni não pôde ir a Cannes para receber o prêmio, afinal após cinco meses de gravidez, ela perdeu o bebê. Os diretores Walter Salles e Daniela Thomas representaram a atriz na cerimônia e exaltaram o talento da moça. Que 2008 comece agora para Sandra Corveloni! E que Linha de Passe chegue logo aos cinemas brasileiros.

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