maio 27th, 2008

Sydney Pollack fez tudo (e mais um pouco) pelo cinema


Ontem à noite, o diretor, ator e produtor americano Sydney Pollack perdeu sua batalha contra o câncer. Pollack partiu aos 73 anos e apenas dois meses após o amigo Anthony Minghella, para quem produziu O Talentoso Ripley, Cold Mountain e Invasão de Domicílio. Recentemente, Pollack também produziu Conduta de Risco, de Tony Gilroy, e o ainda inédito no Brasil O Amor Não Tem Regras, de George Clooney.

Como diretor, Sydney Pollack fez grandes filmes como A Noite dos Desesperados (1969), Mais Forte que a Vingança (1972), Nosso Amor de Ontem (1973), Operação Yakuza (1974), Três Dias do Condor (1975), Ausência de Malícia (1981), Tootsie (1982) e A Firma (1993). É vergonhoso, mas ainda não vi alguns de seus sucessos como Havana (1990) e Entre Dois Amores (1985), que lhe rendeu os Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor.

Pollack foi um cineasta de forte opinião política. Apesar de Tootsie, que é uma comédia fantástica e, talvez, o seu trabalho mais popular, Pollack gostava mesmo era de discutir a situação política dos EUA em seus melhores filmes. Tootsie não deixa de mostrar um cenário da sociedade e da política americana na virada dos anos 70 para os 80, mas se você rever A Noite dos Desesperados, esses aspectos são muito mais evidentes. Assim como em Nosso Amor de Ontem, que é lembrado como um dos mais famosos filmes românticos da década de 70, mas, na verdade, o que une e separa o casal Robert Redford e Barbra Streisand é a política.

O tema foi explorado por Pollack em outros formatos, afinal ele foi um dos mestres do thriller político apresentado por Hollywood naquele período. O diretor analisou os EUA pós-Richard Nixon, que foi presidente de 1969 a 1974, em filmes nervosos como Três Dias do Condor e Ausência de Malícia – não é à toa que seu nome está na produção de um atual e legítimo herdeiro do “gênero”: Conduta de Risco.

Seu último grande filme como diretor foi A Firma, que honrou seu legado como bom diretor de thrillers. Depois disso, cometeu bobagens como a refilmagem de Sabrina e o romântico Destinos Cruzados. Porém, você sabe, em Hollywood até respeitados diretores precisam fazer porcarias somente para a manutenção de seus nomes na indústria. Para isso, Pollack se saiu bem melhor como produtor nos últimos anos. São títulos como Razão e Sensibilidade, de Ang Lee, Iris, de Richard Eyre, O Americano Tranqüilo, de Phillip Noyce, além dos já citados trabalhos para Anthony Minghella, George Clooney e Tony Gilroy. Um dos nomes fortes para a próxima temporada do Oscar também tem produção de Sydney Pollack. Trata-se de The Reader, o novo filme de Stephen Daldry, o ótimo diretor de Billy Elliot e As Horas.

Como ator, Pollack se destacou em filmes como Maridos e Esposas, de Woody Allen, O Jogador, de Robert Altman, A Qualquer Preço, de Steven Zaillian, De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick, Conduta de Risco, de Tony Gilroy, além dos seus filhotes Tootsie, Destinos Cruzados e A Intérprete. Seu último trabalho como ator foi O Melhor Amigo da Noiva, comédia romântica com Patrick Dempsey em cartaz nos cinemas.

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