junho 23rd, 2008

P.S. Eu Te Amo

Gerard Butler manda mais um P.S.: “Hilary, minha menina de ouro,
só espero que Clint não veja você assim.”


Então esse é o tal P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You, 2007) que todos falavam? Isso é o que chamam de legítimo representante do cinemão romântico, que recomenda lenços ao final da sessão? Hmm… Sei de muita gente que viu essa gororoba que mistura vários ingredientes do gênero, mas nunca viu um Desejo e Reparação. Nem é preciso citar clássicos, mas o público precisa redescobrir urgentemente o romantismo no cinema.

O fato é que P.S. Eu Te Amo encantou platéias, principalmente a feminina. O diretor e roteirista Richard LaGravenese parecia o sujeito ideal para resgatar o gênero, afinal ele escreveu O Espelho tem Duas Faces, para Barbra Streisand, e As Pontes de Madison, para Clint Eastwood. Mas a cena inicial de P.S. Eu Te Amo já denuncia a mão pesada do diretor. Antes dos créditos de abertura, temos 11 longos minutos num apartamento para conhecermos o casal Gerry (Gerard Butler) e Holly (Hilary Swank). ONZE! Depois da abertura, a ação dá um salto para o velório do rapaz, que morreu como vítima de um tumor cerebral. Apesar dos 11 minutos, essa passagem de tempo é interessante, mas engana quem começa a pensar que está diante de um bom filme.

Continuando: Holly entra num terrível período de luto, mas o cara é legal até depois de morto – Gerry armou um plano criativo para evitar que a moça se jogue de uma ponte. De vez em quando, Holly recebe cartas do maridão. A intenção, claro, é mostrar que ela ainda pode ser feliz na vida.

Meigo, não? A idéia é ótima, mas sabemos que um bom filme não se faz apenas com boas intenções. Temos vários títulos decepcionantes que viraram filmes só por causa de uma premissa interessante – como A Corrente do Bem, Patch Adams ou Minha Vida -, mas a idéia deveria ser somente o ponto de partida.

Com a sacada “genial” em mente, Richard LaGravenese ligou o piloto automático e deixou o filme correr solto. A seqüência inicial de 11 minutos é um exemplo negativo, que mostra como LaGravenese ainda precisa melhorar como diretor. Outro exemplo é a cena interminável e completamente sem ritmo com Hilary Swank cantando sozinha em seu apartamento antes de ser surpreendida pela mãe (Kathy Bates) e duas amigas, Denise (Lisa Kudrow) e Sharon (Gina Gershon). Mas onde foi parar o trabalho de edição? O problema é que LaGravenese pensa como roteirista. Talvez ele queira ver o texto na íntegra. Só pode ser isso, mas um diretor experiente teria cortado os excessos. Pode apostar.

O roteiro de P.S. Eu Te Amo não é exatamente ruim, mas o fracasso de LaGravenese como diretor é tão comprometedor, que também envolve a escolha dos atores. Hilary Swank não precisa provar nada a ninguém, mas ela jamais será uma donzela sexy e romântica. É sacanagem com a Menina de Ouro, não? Uma grande atriz precisa encarar desafios, mas não dá pra engolir Hilary Swank nesse tipo de papel. É como escalar Clint Eastwood para um pastelão. Nada a ver. O único que consegue se salvar entre mortos e feridos é Gerard Butler, que está a vontade no papel e convence como o “homem dos sonhos” de qualquer mulher. Como ele ainda trabalha sua imagem junto ao público, P.S. Eu Te Amo saiu no lucro para o astro de 300.

Mas será que sou (ou estou) insensível? Ou o filme é ruim mesmo? Qual opinião devo escolher? Deixe-me pensar… Bom, eu sou homem e choro no cinema. Quando há emoção sincera, não consigo evitar. Confesso. Mas pela divulgação boca a boca que P.S. Eu Te Amo ganhou, eu achei que o tom romântico do filme conquistaria os públicos masculinos e femininos com mesma eficiência de raridades como Uma Linda Mulher, Ghost e Titanic. Pois me resta a seguinte opinião: P.S. Eu Te Amo é ruim. Fraquinho de dar dó.

Pelo menos, o filme funciona para quem precisa afogar as mágoas ou curte um masoquismo emocional ou dor de cotovelo. Tem até musiquinha chata do James Blunt pra ajudar no final. Mas se o cinema também tem essa função, amigo, levante a cabeça, sacuda a poeira e dê a volta por cima. Nada de fossa. Alugue um Frank Capra e seja feliz.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You, 2007)
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese e Steven Rogers (Baseado no livro de Cecelia Ahern)
Elenco: Hilary Swank, Gerard Butler, Gina Gershon, Lisa Kudrow, James Marsters, Kathy Bates, Harry Connick Jr. e Jeffrey Dean Morgan

Obs: Disponível em DVD pela Paris Filmes

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