julho 25th, 2008

A série que mudou a TV para sempre

- Acabou, Scully.
- Você tem de fazer uma reclamação. Eles não podem…
- Podem sim.
- O que vai fazer?
- Eu vou… não vou desistir, não posso. Não enquanto a verdade estiver lá fora.

Diálogo entre Mulder e Scully, do episódio Jogo de Gato e Rato, final da primeira temporada.

Por Marcus Vinicius*
Especial para o HOLLYWOODIANO

Uma das maiores séries de todos os tempos, senão a maior, está para retornar. Pelo menos em termos. Série essa que serviu de base para praticamente todas as séries de investigação policial que vieram depois. Um fenômeno que angariou vários Emmys e Globos de Ouro durante suas nove temporadas. Agora, a saga em busca da verdade terá um novo capítulo a partir deste 25 de julho, com a estréia de Arquivo X – Eu Quero Acreditar. Por isso, nada melhor do que uma breve revisitada na cruzada percorrida por nossos caçadores de homenzinhos verdes preferidos.

Criada em 1993 por Chris Carter, que sempre contou com o roteirista Frank Spotnitz, e exibida no Brasil pela Rede Record, Arquivo X trazia uma premissa diferente das demais séries: dois agentes do FBI encarregados de resolver casos sem explicações lógicas ou científicas, mas que aos poucos vão entrando numa trama mais complicada do que imaginavam. De casos bizarros e inexplicáveis, eles acabam dando de cara com uma conspiração, que vai aos níveis mais altos do governo para esconder a existência de vida extraterrestre do público, além de futuros planos de colonização. É essa caça por alienígenas e essa conspiração absurdamente fantástica, que dá fôlego e move a série.

Porém, não seria exagero nenhum dizer que o ponto principal é o relacionamento e o equilíbrio entre os protagonistas. Fox Mulder (David Duchovny), que viu a irmã ser abduzida quando tinha apenas oito anos, realmente acredita na existência de vida extraterrestre e fará de tudo para provar isso; e a extremamente cética Dana Scully (Gillian Anderson), que contrapõe a visão de Mulder com o argumento científico. Esse antagonismo dá uma dinâmica muito boa para a trama. Há uma sensação de embasamento para todos os fatos – as explicações não ficam simplesmente no ar, por assim dizer.

Mas não é somente de Mulder e Scully que sobrevive o universo de Arquivo X. Vários personagens são tão importantes quanto os dois agentes. Exemplo: os três amigos nerds de Mulder, que lhe ajudam de vez em quando e editam a fictícia revista Pistoleiro Solitário. Eles ficaram tão famosos que ganharam um seriado, que foi exibido somente nos Estados Unidos. Personagens como Skinner (Mitch Pillegi), aliado dos agentes, e o Canceroso (William B. Davis), que é o representante da conspiração, têm suas parcelas de importância em episódios especiais – destaque para Meditações Sobre um Canceroso (4ª temporada), Suspeitos Incomuns (5ª temporada) e S.R. 819 (6ª temporada).

E já que estamos falando de episódios marcantes, a Fox lançou um box especial com os oito melhores episódios de acordo com Chris Carter e Frank Spotinz. O DVD Arquivo X Essencial apresenta comentários da dupla contando o porquê da escolha de tais episódios. Trata-se de uma forma de tirar uns trocados, claro, e também de acalmar os inveterados fãs – já que foram reveladas pouquíssimas informações sobre o novo filme. Os produtores se esforçaram muito para manter tudo debaixo dos panos.

Do pouco que se sabe, o foco de Arquivo X – Eu Quero Acreditar está na relação entre Mulder e Scully. Segundo o criador, o filme é uma mistura de suspense e terror. Não é exatamente um filme sobre ETs, OVNIs e conspirações. É difícil que conquiste novos adeptos, mas os antigos fãs certamente estão contando as horas pra matar a saudade de seis anos desde o encerramento da série.

No mais, pode-se fazer uma leitura geral que Arquivo X também discute como nos relacionamos com o desconhecido; de como nos relacionamos uns com os outros nesse mundo que esconde mais mistérios entre o céu e a terra do que podemos imaginar. Eu quero acreditar que a verdade continua lá fora e que continuará lá por muito tempo ainda.

* Marcus Vinicius é cinéfilo, gremista e, claro, fã de “Arquivo X”.

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