julho 22nd, 2008

Hollywood redescobriu a essência do grande vilão?


A impressão é que Hollywood havia esquecido como é que se faz um grande vilão no cinema. O Coringa de Heath Ledger está aí para comprovar uma fórmula que os irmãos Coen já relembraram em Onde os Fracos Não Têm Vez – um vilão de verdade deve despertar o medo (em seu estado puro) no herói e na platéia. Não somente isso. O espectador e os protagonistas devem saber absolutamente NADA (ou quase nada) sobre sua origem e seus motivos. A essência do vilão deve passar a sensação de que estamos diante do mal absoluto.

Antes do Anton Chigurh de Javier Bardem, no entanto, os vilões eram movidos a vingança ou traumas de infância, etc, etc. Na vida real, até pode ser assim, claro. Mas na telona, o bom é viajar e exercitar a mente em busca de uma mera explicação para a razão de todo o mal. Para seguirmos em frente, precisamos de respostas. Isso é fato. É da natureza do ser humano. Mas o que instiga a mente e causa calafrios é enfrentar o desconhecido.


Os melhores vilões do cinema enchem os espectadores de dúvidas. É um recurso que domina as atenções – gerando fãs e projetando a imagem do vilão para a eternidade como objeto de fascínio e estudo. As origens desses personagens fantásticos pouco importam, na verdade. Eles não querem dinheiro ou uma máquina capaz de dominar o mundo. O que importa é gerar a discórdia, o caos e ver o circo pegar fogo. É o maior pesadelo para o herói: a impossibilidade de compreender seu inimigo.

É a magia cinematográfica durando para sempre. Mas nada que uma prequel ou uma seqüência possam estragar – George Lucas transformou o grande Darth Vader num moleque mimado e os derivados de O Silêncio dos Inocentes tentaram estragar o Dr. Hannibal Lecter. Ainda assim, Vader e Lecter resistiram ao tempo ou a violência artística de seus criadores. Portanto, diga “NÃO” a qualquer continuação ou prequel inspirada em Anton Chigurh. Ou no Coringa de Heath Ledger. Se isso acontecer, claro, a culpa não será de Ledger. Por enquanto, palmas para Christopher Nolan.

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