julho 19th, 2008

Viagem ao Centro da Terra

Deixando de lado o fato que este Viagem ao Centro da Terra (Journey to the Center of the Earth, 2008) foi rodado para exibições digitais em 3D, a mais recente adaptação da obra de Júlio Verne é um lixo. Alguns dirão que é um filme para a garotada conhecer o clássico do autor, etc, etc. Mas embora eu saiba que literatura é uma coisa e cinema é outra, Viagem ao Centro da Terra nunca foi infantil ou juvenil – o que faz do filme do estreante Eric Brevig um desrespeito ao trabalho de Verne e uma ofensa à capacidade do público fazer algo bem simples: pensar.

Como adaptação, este Viagem ao Centro da Terra não justifica todo o barulho em torno da história de Verne. Como adaptação, pior, lembra A Feiticeira, com Will Ferrell e Nicole Kidman – quando novos personagens embarcam numa história inédita em cima de uma obra já dominada pelo imaginário coletivo. Neste caso, seria mais inteligente fazer algo como a trilogia De Volta Para o Futuro, em que temos o cientista Doc Brown (Christopher Lloyd) apaixonado e movido pelas histórias de Júlio Verne, mas em filmes completamente diferentes.

Existe uma diferença entre fidelidade ao material original e as escolhas de um diretor na hora de adaptar um livro para o cinema. Um diretor pode cortar uma ou outra passagem, mas o clima, a mensagem e os conflitos dos personagens precisam resistir a qualquer alteração para que a história caiba no formato de cinema. Isso não acontece com o novo Viagem ao Centro da Terra. E se é para crianças e adolescentes, essa faixa do público já viu coisa melhor – e até pode ver algo superior na sala de cinema ao lado.
Mas o filme não funciona somente pela desastrosa adaptação. O roteiro foi escrito para jogar o público dentro de uma experiência tridimensional. As falas e as reações dos protagonistas, no entanto, antecipam qualquer surpresa para o espectador – o que é um erro, que já me irritava nas atrações em 3D de parques temáticos. Em português claro, isso acaba com o direito da platéia se assustar ou se surpreender numa cena.

Como eu disse lá no primeiro parágrafo, o filme foi feito para exibições em salas 3D. Então, talvez seja injusto deixar isso de lado. A tecnologia realmente é um espanto – o que mais impressiona não é ver um monstro ou uma pedra saltando em direção aos seus olhos, mas observar a profundidade visual de uma cena. Mas quanto ao drama no desenvolvimento dos personagens, não há óculos 3D que coloque isso diante da platéia. Se estamos falando de cinema, este Viagem ao Centro da Terra é um desastre. Se é uma atração de parque de diversões, então, a conversa é outra.

Viagem ao Centro da Terra (Journey to the Center of the Earth, 2008)
Direção: Eric Brevig

Roteiro: Michael Weiss, Jennifer Flackett e Mark Levin (Baseado no livro de Júlio Verne)
Elenco: Brendan Fraser, Josh Hutcherson, Anita Briem, Seth Meyers, Michel Pare e Jane Wheeler

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