agosto 30th, 2008

Madonna dos tímidos e extrovertidos

Madonna é uma figuraça do universo pop. Não há como negar. Com shows confirmados no Brasil em dezembro, a gurizada de Rio e São Paulo não fala em outra coisa, pois nesta segunda-feira, dia 1º de setembro, é dia de ver neguinho dormindo em fila pra descolar ingressos para os shows da moça de 50 anos.

Depois que o mundo se tornou sem vergonha, com uma boa dose de colaboração da musa pop, Madonna decidiu se reinventar uma, duas, três vezes nos últimos 10, 15 anos. A maioria dos fãs aprovou suas músicas cada vez mais dançantes e eletrônicas e os cinéfilos deram graças aos céus quando ela deixou de se levar a sério como atriz.
Confesso que gosto dela, mas parei de ouvir suas músicas há tempos, pois minha alma é rock and roll e não adianta fugir muito disso. Saiba que estou por fora das canções novas e velhas pós-Bedtime Stories, álbum de 1994. Mas a verdade é que Madonna foi muito importante para o meu interesse pela música durante a infância e a pré-adolescência. Por motivos óbvios, não havia menino da minha idade que não curtisse a loira e suas mensagens de uma vida adulta promiscuamente promissora.

Like a Virgin, ela disse. Como Material Girl, ela se definiu. Dali pra frente, a vida não seria a mesma. Foi um aprendizado cultural e social, que animava as festinhas e deixava uma garotada tímida um pouco mais desinibida. Ainda mais numa época muito mais conservadora do que hoje, Madonna falou e cantou mais alto para mostrar aos nossos pais que santo moderno não vive e não sai de casa sem o pecado na carteira ou no bolso. E olha que nos tempos de Like a Prayer, Madonna ainda ficava nas metáforas. Imagine só como foi depois do álbum Erotica.

Mas os anos passaram e Madonna foi se reinventando. Bom pra ela. Não gosto quando os ídolos de uma geração desaparecem e se tornam humanos, mas também ninguém é obrigado a gostar de tudo o que uma artista como a Madonna faz. Ninguém é perfeito. Porém, ouço sempre que possível o The Immaculate Collection, mas olhe lá. Ainda adoro Open Your Heart, Like a Prayer, Papa Don’t Preach, Borderline, Material Girl, True Blue, Who’s That Girl, Holiday e Into the Groove, a minha favorita (you know: “And you can dance… For inspiration… Come on, come on…”). Mas eu deixei pra lá, pois como a puberdade, ela já havia me ensinado o que era preciso. Eu não precisava mais dela.

Madonna seguiu em frente, afinal tem marmanjo que não se apegou somente às músicas da artista e levou seus trejeitos e maneirismos muito a sério. Já entre as mulheres, não conheço uma só que não goste dela. Tem gente que nem curte mais a Madonna atual, mas também irá ao show assim mesmo porque estamos falando da Madonna em pessoa e não de uma wannabe como Britney Spears, que fez apenas uma única coisa boa em toda a sua medíocre carreira: Beijar a Madonna.

Talvez até valha a pena aparecer no Morumbi, estádio que só fica cheio em show da Madonna, para prestigiar essa mulher que foi muito importante para uma galerinha que viveu muito bem os anos 80. Ela já está com 50. E pode ser a última chance para mandar um “muito obrigado” para a ex-rival da Cyndi Lauper em terras brasileiras. Mas eu prefiro guardar uma grana e esperar pela possível vinda do R.E.M. em novembro. Fazer o quê? Eu posso escolher e arriscar. Foi a Madonna quem me ensinou.

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