novembro 14th, 2008

De bobo, Woody Allen não tem nada

Mia Farrow, Diane Keaton e Dianne Wiest já foram “Musas de Woody Allen”. Se um bom autor precisa ou não de uma musa para criar e brilhar, o diretor novaiorquino esclarece este mito com os melhores filmes de sua extraordinária carreira. É só pensar em uma obra essencial do diretor nos anos 70 ou 80. Não tem como errar – no elenco, temos sempre Mia Farrow ou Diane Keaton ou Dianne Wiest. Ou todas juntas, como em A Era do Rádio, de 1986.

Mas depois da conturbada separação pessoal e artística de Mia Farrow, Allen alternou bons e maus momentos na década de 1990. Só dois filmes realmente prestaram: Tiros na Broadway, de 1994, e Poderosa Afrodite, de 1995. Desconstruindo Harry, de 1997, é legal, assim como Poucas e Boas, de 1999, mas ambos não chegam aos pés dos filmes citados acima. E em Tiros na Broadway, o diretor contou com Dianne Wiest. Mas por onde anda Diane Keaton? Sim, ela anda fazendo produções descartáveis e bem que poderia trabalhar com Woody Allen novamente.

Em Poderosa Afrodite, de 1995, Allen deu o Oscar a Mira Sorvino, que esteve brilhante naquele filme, mas nunca mais fez coisa alguma que justificasse sua estatueta dourada. Enfim, a nova musa não era Mira Sorvino. Foi apenas uma espécie de One Night Stand artística.

A primeira metade da década atual também foi pouco inspirada para Woody Allen. Mas fazer o quê? O velhinho falastrão de óculos adora lançar um filme por ano… E sem uma musa, fica difícil. Mesmo com a mulherada sendo o centro das atenções ou atuando como objeto do desejo dos personagens masculinos criados pelo diretor, Allen precisava de uma nova musa. A nova mulher ideal.

Eis que em 2005, o diretor foi bancado por Londres. Deixou Nova Iorque para trás e partiu de mala, óculos e cuia para a terra dos criadores do futebol. Na bagagem, Scarlett Johansson, loiraça, menina com jeito de mulherão e com um corpinho que os gringos não costumam ver pelas ruas ianques. Não deu outra. Allen acertou a mão em Match Point, lançado em 2005. Segundo o próprio diretor, este é o seu melhor filme. Vai discordar? Bom, de lá para cá, a doce Scarlett esteve em Scoop e o novo Vicky Cristina Barcelona. Três dos quatro filmes lançados por Woody Allen nos últimos três anos. Não que Scarlett seja uma atriz extraordinária em seus filmes. Mas Allen voltou para mais um “auge” em sua carreira. E só por ter levantado o “astral” do diretor, os cinéfilos agradecem a Scarlett Johansson.

Quem sabe se um dia, Woody Allen junta Scarlett Johansson, Diane Keaton e Dianne Wiest em um mesmo filme? Seria bacana demais, afinal pedir por Mia Farrow neste momento é como torcer para o Íbis subir para a Série A do Campeonato Brasileiro. Mas anote esta idéia, Woody!

Vicky Cristina Barcelona estréia hoje no País. Não perca. E leia a crítica do Hollywoodiano aqui. Aliás, o blog torce por uma indicação de Penélope Cruz ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Ela está linda na maior atuação de sua carreira.

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