fevereiro 26th, 2009

Despedida para Paul Newman

Não sei quanto a outros cinéfilos, mas quando fecho meus olhos e penso no perfil ideal de astro, a primeira imagem que me vem a cabeça não é a de Tom Cruise, Brad Pitt ou Will Smith. Nem mesmo a do grande Harrison Ford, maior astro dos anos 80. Penso em Marlon Brando, Cary Grant, Humphrey Bogart, John Wayne, James Stewart, Charlton Heston e Paul Newman. Você, no entanto, talvez tenha conseguido ser o mais querido e, ao mesmo tempo, íntegro que Hollywood já viu. Com todo o respeito aos demais nomes, incluindo Cruise, Pitt e Smith.

Em setembro de 2008, você nos deixou. Seus olhos azuis se fecharam para sempre após uma luta incansável e desleal contra um câncer de pulmão. Também deixou sua bela mulher Joanne Woodward, com quem manteve um dos casamentos mais sólidos, respeitados e admirados em Hollywood, além de seis filhos e milhões de fãs. Cheguei até aqui e percebi que a vida teria sido muito triste e sem graça com a total ausência de ídolos. Ainda bem que tive os meus. Por isso, Paul Newman, esteja onde estiver, esse texto é para você.

É engraçado que muitos digam que seu último trabalho foi Estrada Para Perdição (2002), de Sam Mendes. Mas não esqueço sua voz em Carros (2006), quando dublou o velho Hudson Hornet da animação da Pixar. Sei que depois disso, você se aposentou, mas juro que eu ainda alimentava as esperanças de tantos outros cinéfilos, que acreditavam que o grande Paul Newman faria, pelo menos, mais uma dobradinha com seu amigo Robert Redford, parceiro de filmes inesquecíveis como Butch Cassidy (1969) e Golpe de Mestre (1973). Mas, enfim, Deus não quis assim.

Em 26 de janeiro de 1925, você nasceu em Ohio, nos EUA. Serviu na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial como operador de rádio e, voltando para casa, estudou para ser ator em New Haven e Nova York. As primeiras demonstrações de seu talento foram vistas na Broadway. E embora você tenha estreado no cinema com O Cálice Sagrado (1954), seu debut como protagonista foi em Marcado Pela Sarjeta (1956), um belo filme do grande Robert Wise.

Além de ator e cineasta, você foi empresário e dono de uma linha de alimentos. Também foi piloto automobilístico – amava carros, corridas e velocidade. Foi indicado 10 vezes ao Oscar: Oito como Melhor Ator, por Gata em Teto de Zinco Quente (1958), Desafio a Corrupção (1961), O Indomado (1963), Rebeldia Indomável (1967), Ausência de Malícia (1981), O Veredicto (1982), A Cor do Dinheiro (1986) e O Indomável (1994); uma como Melhor Ator Coadjuvante, por Estrada Para Perdição (2002), e uma como produtor (Melhor Filme), por Rachel, Rachel (1968), sua estreia na direção. Não sei como isso foi possível, mas ganhou somente um único Oscar, como Melhor Ator, por A Cor do Dinheiro, em 1987. Na ocasião, repetiu um de seus maiores papéis, o de Eddie Felson, de Desafio a Corrupção.

Durante os anos, sua imagem de eterno jovem rebelde – aquele de O Indomado e Rebeldia Indomável -, aos poucos, ganhou a classe de um distinto cavaleiro. Na verdade, você sempre conservou uma elegância que insistia em ficar em segundo plano, mas que jamais enganou um olhar mais atento. E esses dois lados marcaram sua carreira para sempre. Você trabalhou com diretores do calibre de Martin Scorsese, George Roy Hill, Alfred Hitchcock, Robert Wise, Robert Rossen, Otto Preminger, Martin Ritt, Stuart Rosenberg, Robert Altman, Sydney Pollack, Robert Benton, Sidney Lumet e Sam Mendes. Serviu de inspiração para astros da atualidade como George Clooney, Tom Cruise, Brad Pitt, Tom Hanks e tantos outros. Deixou saudades e cerca de 70 filmes para a eternidade.

Quando você se foi em setembro do ano passado, eu não fui capaz de dizer coisa alguma. Agora, com lágrimas nos olhos, muita tristeza, mas com a certeza de que aprendi muito com sua obra, despeço-me dizendo que jamais haverá um astro como você.

Descanse em paz…

Obs: Até 31 de março, HOLLYWOODIANO homenageia o ator/astro comentando seus melhores filmes no ESPECIAL PAUL NEWMAN.

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