Filmes e games como água e óleo
Goste ou não, as artes são diferentes e adaptações como Sin City, Spirit e Hulk (do Ang Lee) foram erros necessários para provar que a linguagem cinematográfica não é compatível com a reprodução visual e narrativa de uma HQ. No caso dos livros, pegue o exemplo recente de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta, ambos do diretor Chris Columbus, que, sob o olhar atento de J.K. Rowling, topou seguir as páginas da autora da forma mais fiel possível e esqueceu que já foi um divertido contador de histórias no cinema, afinal ele é o cara responsável por Uma Noite de Aventuras, Uma Babá Quase Perfeita e Esqueceram de Mim.
Claro que temos projetos que dão certo. O livro O Paciente Inglês, de Michael Ondaatje, sempre foi considerado como “infilmável”, mas o diretor Anthony Minghella levou sua superprodução ao Olimpo do Oscar quando ganhou nove estatuetas. O Senhor dos Anéis também sempre recebeu rótulos de adaptação complicada, mas os filmes de Peter Jackson fizeram história. Com quadrinhos, tivemos ótimos resultados dos esforços de diretores talentosos como Bryan Singer (X-Men 1 e 2), Sam Raimi (Homem-Aranha 1 e 2), Sam Mendes (Estrada Para Perdição) e Christopher Nolan (Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas). Mas e quanto aos games? Bom, nenhum deu certo até hoje. Resident Evil? Lixo. Mortal Kombat? Lixo. Street Fighter? Hmm… Deixa pra lá. E o problema é o mesmo dos longas baseados em livros, quadrinhos, etc. Enfim, não adianta tentar reproduzir o game na tela do cinema. Se eu quiser jogar, fico em casa. Certo?
Já está provado que filme com The Rock não dá certo, mas quem joga videogame ou computador, sabe que Doom é um clássico. É jogo de tiro em primeira pessoa (a ação é vista pelos olhos do personagem) e é preciso descarregar a munição de suas armas nos malditos monstros que surgem no meio do caminho sem aviso prévio. E não é que o filme tenta copiar exatamente essa sensação numa interminável sequencia com cerca de cinco minutos? Só que (detalhe) você não tem joystick na cadeira do cinema.
Quer me ver nervoso? Diga na minha cara que Tomb Raider, o filme, é um “Indiana Jones de saia”. Ora, Angelina é um espetáculo, mas sua beleza não é desculpa para um filme de duas horas com roteiro pífio que se sustenta de forma picareta na marca de um dos games mais idolatrados de todos os tempos.
Se der certo, temos muitos games com ótimas histórias que mereciam um filme competente, para dizer o mínimo. Entre eles, Gears of War, God of War e Metal Gear Solid – se você anda atualizado com o mundo dos games, sabe que a época de River Raid já passou e que as tramas deixam Hollywood parecendo uma creche. Além disso, a tecnologia atual chegou a um nível tão impressionante que o cinema pode contar qualquer história imaginável. E acho que o cinema anda carente de bons filmes fantásticos, afinal, convenhamos que o excesso de produções pós-O Senhor dos Anéis e Matrix banalizaram a fantasia e a ficção científica. Em outras palavras, essa é a hora para Gore Verbinski fazer de Bioshock um belo filme. Ou para o produtor Jerry Bruckheimer e o diretor Mike Newell, que preparam Prince of Persia – The Sands of Time, com Jake Gyllenhaal e Ben Kingsley, com estreia marcada para 2010.
Sei que há um debate interminável quando falamos de cinema e outras linguagens. Mas acho que não importa buscar uma fidelidade total às páginas ou ao game. Também não adianta representar um personagem literário exatamente como seu autor o imaginou. O ideal para cinema é capturar o universo e o clima da obra original. Feito isso, o restante equivalente a algo em torno de 10% depende da montagem e da dedicação dos atores.
Em tempo, Bioshock é sobre um náufrago que encontra Rapture, uma bizarra cidade submarina criada por um cientista louco. O problema, claro, não é entrar, mas escapar de Rapture com vida. Até o final, o jogador é surpreendido não só pelos sustos e a sensação claustrofóbica da aventura, mas principalmente pelas reviravoltas na trama e a riqueza do universo desenvolvido por Ken Levine, o autor e diretor do game. Aliás, Bioshock 2 chega ainda neste ano para Xbox 360 e Playstation 3.



Perfeito


Cinema é arte e games não. Começa por aí, muito diretores de prestígio fazem cara feia quando indagados sobre a possibilidade de dirigirem um filme deste tipo. E eles estão certos, pois é muito limitado ficar preso a uma história de game e acho que os dois não combinam mesmo. Não vejo sentido em procurar material nisso se há tanto livro bom por aí esperando ser adaptado. O Príncipe da Pérsia parece o único promissor, mas é mais pelo exótico de cores locais que ele oferece. Pode ser preconceito de minha parte, mas eu acredito em algo maior na sétima arte e que passa muito longe de games…
Tarde demais, Denis! Considere arte ou não, Hollywood já está mirando os games. Só que precisam entender que isso é apenas uma inspiração. Se for para copiar o game, aí não vale meu rico dinheirinho.
Abs!
Anota aí: mais uma empreitada que não vai dar certo… Até hoje, o que veio de melhor nesse sentido foram as Tartarugas Ninja…
Como comentei no blog do Marcus, esse tipo de adaptação sempre me deixa muito desconfiado, afinal a maioria das produções baseadas em games não dão certo – aliás, são poucas as que fazem algum sucesso de bilheteria. Realmente está na hora dessa história mudar, apesar de não estar confiante para “Prince of Persia” ou esse “Bioshock”.
Otavio, depois que vi BATMAN – Não duvido mais de nada! E acredito sim que mais cedo ou tarde alguém vai fazer uma adaptação digna de jogos ou quadrinhos … Alias, já temos um perfeito filme que é o Batman, agora é esperar e ver o que nos chega até aqui em relação aos video-games!
Um dia sai um bom filme. Eu sei que você acredita nisso, Otávio.
Assunto bem interessante, meu velho. Eu considero games uma forma de arte. Se uma bambisse de um quadro que parece ter sido espirrado pode ser arte, porque a história de um agente secreto que faz James Bond parecer uma menina não pode ser? E não to falando da parte de estética e tal, para isso sobram exemplos. Só procurar por imagens de Final Fantasy, Shadow of the Colossus e Okami no Google que verão ao que me refiro.
E outra, cinema é uma coisa tão legal, tão foda que as fontes para se contar uma história são infinitas. É nisso que eu acredito. Kurosawa fez filmes inspirados em seus sonhos. Não vejo mal nenhum em contar uma tendo em vista uma HQ ou um jogo de game.
O que quebra é que não tem gente boa trabalhando nisso. Concordo 100% contigo que tá faltando alguém que capture a real essência do troço. Já pensou DOOM nas mãos do James Cameron? Metal Gear nas mãos do Carpenter?
Mas como o Pedro disse, um dia sai algo bom. Espero que até lá não queimem demais o filme dos games.