abril 1st, 2009

Minha garota de vestido verde

Rápido! Pense na personagem fêmea mais bela do cinema nesta década. E então? O que veio em sua mente? Antes de responder, eu sei que é questão de gosto e podemos divergir em nossas opiniões, mas provavelmente, a imagem de Keira Knightley naquele vestido verde de Desejo e Reparação tenha vindo, pelo menos, como um flash em sua memória. Se não veio, agora ficou.

Desgraçada! Como ela consegue? Aquela mulher num vestido daqueles… Parece uma miragem, uma figura inatingível, intocável. Como disse Frank Drebin (Leslie Nielsen), em Corra que a Polícia Vem Aí!, dá vontade de ajoelhar e agradecer a Deus por ter me deixado nascer homem.

Não é devaneio machista, nem quero esbarrar na grosseria. Longe disso, por favor. Cara, sou leigo em matéria de moda, mas entendo de mulher. Não, não sou nenhum Casanova, Jude Law ou Paulinho Vilhena. Porém, eu conheço a verdade. E desculpe-me se ela incomoda, mas você, mulher, precisa estar sempre bonita. Não “ser” bonita, mas “estar” bonita. Linda de preferência. É a lei da vida.

A intenção aqui não é idolatrar a adorável magrela Keira Knightley, mas chamar a atenção para a beleza feminina que surge na tela de tempos em tempos. E não acho que Keira no vestido verde desenhado por Jacqueline Durran tenha sido obra do acaso. Vocês lembram da aula de moda da professora Meryl Streep para sua aluna Anne Hathaway em O Diabo Veste Prada, não? Há um propósito por trás da confecção de um vestido assim e tem gente que não dá a mínima. Mas, de qualquer forma, estou mais interessado no poder que essa peça proporciona.

Uma mulher vestida desse jeito está por cima da carne seca. Ela pode. Ela manda. Ela pede pra gente dar uma voltinha enquanto joga conversa fora com a amiga e obedecemos com o maior prazer. Carregamos a bolsa dela cheia de frufrus na frente de uma multidão. Sem problemas. Até repetimos a dose se ela quiser.

Agora, uma mulher descabelada usando uma camiseta velha sem, ao menos, um lápis preto (confesso que olhos contornados com aquela linha preta é jogo sujo com meu coração macho) não deveria nem ousar dar ordens ao homem com H ou mesmo pedir com jeitinho. Não passa credibilidade. E não adianta pegar o telefone e reclamar pra mãe (ou pra melhor amiga) que ele não olha pra você. Ponto.

Dito isso, homens querem ser escravos de suas mulheres. É uma condição que vive em nosso subconsciente cavernoso desde os primórdios. Às vezes, a raça macha não admite ou demora a perceber, mas o homem nasceu para venerar o sexo feminino. Só que esse regalo não pode ser privilégio de qualquer uma. Para assumir o controle da popular coleira, a mulherada deveria ver mais filmes de Audrey Hepburn ou rever Doutor Jivago, que tem a personagem mais bela do cinema, a Lara de Julie Christie. Deveria rever Anne Hathaway em Agente 86. Ou estudar Keira Knightley em Desejo e Reparação. Conversar com uma garota estilo Juno é legal, assim como é muito bom pro ego ser visto com uma gostosona como Megan Fox, em Transformers. Faladeiras como Meg Ryan e Sandra Bullock também são ótimas opções para um café numa boa livraria.

Mas mulher de verdade sabe usar um vestido verde. Preste atenção no jeito como ela para, olha e caminha. Esse jeito estranhamente natural de andar sem preocupação e, ao mesmo tempo, como se ela fosse o centro do universo. Como se estivesse em slow motion. Existem mulheres assim… Isso é caráter. Isso é personalidade.

Em Desejo e Reparação, Keira Knightley não é fisicamente a mulher mais linda do mundo. Mas isso não importa. Ela tem graça. Uma magia que não se encontra nessas baladas noturnas pra gente perdida. Aquela mulher que dói só de olhar, mas que não dá para desgrudar os glóbulos oculares nem por um segundo. Ela merece canções de amor. É a musa que detém os direitos por mérito da dor de cotovelo alheia. Garota que usa vestido verde se torna mulher. Ela sabe que a cor e o preço do vestido são apenas detalhes.

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