abril 13th, 2009

Monstros Vs. Alienígenas

Embora minha criança interior estivesse me enchendo o saco, assisti a Monstros Vs. Alienígenas (Monsters Vs. Aliens, 2009) somente duas semanas após a estreia desta que é a primeira animação da Dreamworks em 3D. A genialidade técnica da produção já estava comprovada no trailer, mas confesso que demorei pra ir ao cinema porque eu tinha lá as minhas dúvidas quanto à qualidade do conteúdo, afinal a Dreamworks, diferente da Pixar, só faz animação sobre malandros e retardados fazendo piadas prontas de grandes sucessos do cinema. E eu já estava cansado de ver sempre a mesma coisa.

Monstros Vs. Alienígenas não foge muito disso. Mas não é que ri além da conta? Atarefado com compromissos adultos, esqueci meu lado infantil nas últimas semanas e nem me liguei que a ideia de juntar dois ícones nerds como monstros e alienígenas na telona não tem como dar errado. Ainda mais quando a garotada atual só quer saber de Ben 10 e Clone Wars. Ou quando marmanjos, como eu, cresceram com Star Wars, Star Trek e outras bobagens descartadas por quem admira intelectuais ao estilo Manhattan Connection.Sabendo disso, a Dreamworks criou uma heroína bacana como protagonista para chamar a atenção do público (mirim) feminino, até porque os meninos já estavam garantidos na festa. E deu certo. Inspirada em O Ataque da Mulher de 15 Metros, Susan (voz de Reese Witherspoon) é atingida por um meteorito no dia de seu casamento com um chato de galochas. A garotinha apaixonada e iludida pelo noivo, que só pensa na carreira, reverte a situação ao passar a ver sua vida (e o mundo) de uma perspectiva totalmente diferente e superior a de qualquer homem.
Do ponto de vista da moça, entendemos que Monstros Vs. Alienígenas, apesar de ser bobo e legal, assume seu papel como fábula feminista. Mas quebrar a cuca com este filme é desperdício de neurônios. Então, relaxe e imagine como Paula e Hortência juntas não chegariam aos pés de Susan, que é capturada por militares e levada para a famosa Área 51, onde conhece outros “monstros” lendários, mas simpáticos e… inofensivos: o Dr. Barata (voz de Hugh “Dr. House” Laurie), cuja figura homenageia a criatura de A Mosca da Cabeça Branca, B.O.B. (Seth Rogen), a gelatina azul sem cérebro, que representa o primo pobre da Bolha Assassina, e o homem-peixe Elo Perdido (Will Arnett), que lembra o eterno Monstro da Lagoa Negra. Ah, sim. Eu estava esquecendo do mudo Insetossauro, uma gigantesca larva do tamanho do Godzilla.

Quando impiedosos alienígenas chegam ao nosso planeta para recuperar a fonte de energia que deixou Susan com as pernas maiores que as da Ana Hickmann, o governo americano, impotente diante do poder da tecnologia dos ETs, não exita em mandar o esquadrão de monstros para o ataque.

A mistura de ação e comédia funciona que é uma beleza, mas se você não é criança e muito menos tem a cabeça dos pimpolhos, Monstros Vs. Alienígenas pode valer o ingresso pelas risadas de seu filho, sobrinho, irmãozinho, whatever, e, claro, pela bela oportunidade de encarar uma das mais impressionantes experiências 3D da nossa galáxia.

O roteiro pode estar longe de ser um primor, mas acerta na diversão, na homenagem aos filmes B, e na criação de um universo fantástico baseado em criaturas clássicas do terror e da ficção científica utilizadas aqui de forma criativa. Talvez seja um bom começo para uma nova franquia do cinema americano. E, mais do que isso, pode significar a consolidação do 3D como a nova mania da sétima arte para arrancar o povo de casa. Mas se você não é capaz de entrar no clima desta aventura cheia de atrativos técnicos, nerds e infantis, não há outra razão para arriscar uma sessão de Monstros Vs. Alienígenas.

Monstros Vs. Alienígenas (Monsters Vs. Aliens, 2009)
Direção e Roteiro: Rob Letterman e Conrad Vernon

Com as vozes de Reese Witherspoon, Seth Rogen, Hugh Laurie, Will Arnett, Kiefer Sutherland, Rainn Wilson, Stephen Colbert, Paul Rudd, Julie White, Jeffrey Tambor, Amy Poehler, Ed Helms e John Krasinski

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