abril 7th, 2009

Vai um filminho aê? É só 5 real, tio!

Wolverine estreia no próximo dia 30 de abril nos cinemas, mas você já pode encontrar o filme nas esquinas e na internet. Trata-se de uma versão de qualidade, mas não-finalizada – uma cópia sem efeitos visuais, além de som, trilha e montagem provisórios.

É o Tropa de Elite de Hollywood. Enfim, já era. De qualquer forma, a tragédia ocorrida com o filme de José Padilha funcionou, ironicamente, como uma propaganda eficiente, pois a estratégia involuntária levou um belo público aos cinemas. Não estou defendendo a pirataria, apenas afirmando que a vadiagem deu certo.

No caso de Wolverine, isso é diferente, claro. O filme do mutante se vende sozinho e o fato de ter vazado na rede coloca o blockbuster em risco no meio da concorrência violenta, afinal é o verão americano começando. No Brasil, é a temporada de férias chegando mais cedo aos cinemas. Isso quer dizer que gastaríamos uma grana considerável com estacionamento, lanche (ou jantar), balas, pipoca, refrigerante e ingresso(s) para Star Trek, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, e Transformers – A Vingança dos Derrotados, mas economizaríamos com Wolverine no conforto do nosso lar. A verdade é que a grande aposta da Fox para essa temporada está com a pulga atrás da orelha, digamos assim.

Há tempos que Hollywood tenta combater a pirataria. Um dos últimos recursos foi o lançamento mundial para produções comerciais. Com alguns filmes, pelo menos, estúdios e distribuidoras diminuiram a janela entre a estreia nos EUA e o restante do planeta. Na TV, os problemas são semelhantes. Por exemplo, 24 Horas sempre estreia em janeiro na terra dos Jonas Brothers, mas a Fox daqui só lança a série três meses depois. Genial! Quase no fim da temporada. Isso é um prato cheio para os piratas. Uma saída é o lançamento simultâneo, mas sempre esbarram no tempo (e no custo) do trabalho para a produção de legendas. Mas quer saber? Acho conversa fiada, porque tudo é uma questão de mudança de paradigmas. Os piratas conseguem colocar um episódio para download um dia depois de sua exibição nos EUA, incluindo as legendas em português. Então, como é que os canais não são capazes de fazer isso? E olha que a gente já paga um bom dinheirinho para manter TV por assinatura mês após mês.

Mais cedo ou mais tarde, a TV deve aderir ao streaming mundial. Veja bem: Imagine assinar os serviços de uma operadora e ter um canal que promova um pacote que ligaria você a um site de streaming. O assinante veria a série, com ou sem legenda, sem necessidade de download, porque o programa ficaria acessível por um tempo determinado no pacote. Talvez isso gerasse uma receita a mais para o canal, que reduziria o preço da legendagem com a série já pronta para seu lançamento em DVD, assim como também seria capaz de aumentar sua base de assinantes com um novo tipo de produto.

Falando em DVDs, acho que as locadoras, infelizmente, estão destinadas à extinção. Por enquanto, tecnicamente falando, investir no Blu-Ray seria uma solução, afinal é uma mídia que ainda desafia os piratas com mais travas de segurança do que um cinto de castidade. Mas vocês já viram quanto custa um filme em Blu-Ray? Sei que muita gente trabalha nisso, mas baixar custos seria uma hipótese a se considerar. Ou alguém ainda pensa que a vida é fácil?

A mesma coisa para o cinema. A indústria já descobriu que não adianta perder tempo e dinheiro caçando piratas. Digamos que a internet tem um papel importante na democratização do acesso à cultura, pois sabemos que nem todo mundo tem condição para consumir ou até mesmo chegar ao produto chamado cinema. Mas como baixar custos numa época de crise econômica? Ainda mais agora com a invasão de filmes em 3D prevista para este ano, afinal muitas salas de cinema serão obrigadas a uma adaptação dessa nova realidade. Mas também já sabemos que essa jogada 3D de Hollywood tem muito a ver com o combate à pirataria. É um fato e um atrativo a mais para o espectador deixar sua casa e ir ao cinema.

Um país como o Brasil ainda está longe de adaptar seus cinemas ao digital, mas pense como seria a vida se os exibidores pudessem baixar cópias legais dos filmes diretamente dos sites das distribuidoras. Por um software livre, as cópias já viriam com cerca de cinco filmes comerciais de marcas como Coca-Cola, Volkswagen, Oi, McDonald’s e Visa. Tudo devidamente anexado ao arquivo baixado. Vindo antes da atração principal, o público seria obrigado a ver esses anúncios. É mais ou menos como funciona a publicidade na TV aberta. Com isso, o exibidor não pagaria pela cópia e se preocuparia em manter seu cinema com a venda de ingressos, que, dessa forma, poderiam ser mais baratos.

Ao mesmo tempo, o público decidiria como e onde gostaria de assistir ao filme. Em casa, baixando do mesmo jeito que o exibidor, ou em um cinema digital em som e imagem. A indústria, no entanto, não morreria, assim como a TV não morre, afinal a propaganda é a alma do negócio. Ou, simplesmente, esqueça essa minha viagem e imagine o lançamento simultâneo de um filme em várias mídias. Como diria o idiota das Casas Bahia: “Qué pagá quanto?”

Mas a questão é complicadíssima, Hollywoodianos. Na verdade, ninguém achou a cura ainda. E a intenção desse post é gerar reflexão e discussão a respeito do tema. Mesmo viajando na maionese.

Só para constar, eu irei ao cinema assistir a Wolverine.

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