O Exterminador do Futuro
Você conhece O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984) e seu legado no mundo das artes, especialmente em filmes, séries de TV, games e HQs. Hoje, o universo particular criado pelo diretor, produtor e roteirista James Cameron está bem claro na cabeça dos fãs, que são os verdadeiros responsáveis pela manutenção e inevitável reinvenção desta fantástica saga (e incluo neste grupo o diretor McG, que comandou O Exterminador do Futuro – A Salvação, o quarto filme da franquia). Mas tente imaginar a reação do público, em 1984, quando tudo começou. Assim, relembramos e consagramos um clássico do cinema.
Naquele ano, Arnold Schwarzenegger era conhecido somente por Conan (O Bárbaro e O Destruidor) e James Cameron era o diretor de Piranha II – Assassinas Voadoras. É sério, cara. Bom, o cinema americano passava por uma boa safra de filmes de ficção científica – em sua maioria otimistas como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T. – O Extraterrestre e a trilogia Star Wars, além de poucos e bons pessimistas como Alien – O Oitavo Passageiro e Blade Runner – O Caçador de Andróides. Todos esses títulos influenciaram o gênero nas décadas seguintes e o jovem James Cameron seria o responsável por mais um belo exemplar que merece lugar cativo ao lado das criações de Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scott citadas acima.
Influenciado, principalmente, pela remessa pessimista, Cameron convenceu a Orion Pictures a bancar sua ideia extremamente original, que nem exigiu um orçamento monstruoso do jeito que o próprio diretor prefere trabalhar, como vimos em True Lies, O Segredo do Abismo e Titanic. O fato é que até aquele momento, ninguém havia visto algo como O Exterminador do Futuro. E é uma bênção que este filme tenha sido feito com pouco dinheiro. Há uns 20 anos, muitos diretores driblavam os limites da tecnologia com criatividade. Atualmente, com o CGI, tudo é mais fácil e nada é impossível. Se bem que Cameron mostraria que, com mais grana na bolso, teria feito algo como… O Exterminador do Futuro 2. Infelizmente, nem todo mundo é James Cameron, porque a maioria pensa primeiro nos storyboards e depois no roteiro.
Enfim, antes de O Exterminador do Futuro, e anos-luz antes de Matrix, o cinema e a literatura já discutiam a nossa dependência das máquinas e a mudança forçada de status entre mestre e escravo, vide Metropolis, 2001, Blade Runner e os livros de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. Mas nunca antes vislumbramos um futuro apocalíptico tão sujo com a humanidade dizimada por sua própria criação: as máquinas. Muito menos, havíamos testemunhado uma eletrizante perseguição entre dois guerreiros no passado para definir o futuro. Claro que essa última proposta de um mocinho e um bandido protegendo uma pessoa de suma importância já havia sido explorada em faroestes, policiais e épicos japoneses. Mas falo de um material novo, que bebeu na fonte de gêneros e culturas para criar uma mitologia própria e jogar a definição de ação em outro patamar. Foi a consagração da narrativa e o drama conduzidos pelo clima tenso da ação sem fim e não pelas falas piegas do roteiro ou das carinhas de cães sem dono de atores canastrões. Assim como Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scott, James Cameron sabia que não precisava de atores como Laurence Olivier para fazer cinema desse jeito. O Exterminador do Futuro surgiu como novidade, mas sem a descarada pretensão de ignorar a história do cinema (e a cultura pop) até então.

Schwarzenegger nunca interpretou um vilão antes de O Exterminador do Futuro. Mesmo que ele comece o filme com sua expressão natural de robô e o personagem de Michael Biehn grite e sinta dores em sua viagem no tempo, ninguém foi capaz de perceber, que um era bom, enquanto ou o outro era mau. Muito menos que um era humano, enquanto o outro era um ciborgue implacável e praticamente indestrutível enviado do século XXI para matar a futura mãe do líder da resistência que pode pôr um fim na guerra entre homens e máquinas. Ufa! Muita informação, não? Mas quem domina o ofício da direção como um bom contador de histórias, sabe que o filme pertence ao público. Cameron explica o necessário. E na hora certa. O resto é com o público. E dá-lhe ação com tiros, perseguições, explosões num ritmo eletrizante, que parece não ter fim, mas que jamais cansa o público.
Concebido com baixo orçamento, O Exterminador do Futuro é um filme que nasceu pra dar certo. Não há outra explicação, além da magia do cinema falando mais alto que qualquer limite. Os cabelos dos anos 80 pararam no tempo, mas O Exterminador do Futuro é eterno. Suas ideias originais geraram múltiplas imitações, influenciaram nomes como Andy e Larry Wachowski (os criadores de Matrix) e consolidaram James Cameron e Arnold Schwarzenegger na indústria. Entre outras conquistas, temos o visual do exterminador, que foi importante para a moda, assim como a trilha sonora oitentista de Brad Fiedel, que definiu uma época e é lembrada como um dos últimos grandes temas do cinema.
Além disso, começamos a ver a típica heroína de James Cameron, que se apaixonou pela bravura de Sigourney Weaver em Alien, de Ridley Scott, e decidiu colocar mulheres fortes enfrentando o mundo dominado pelos homens. Sua Sarah Connor ganhou vida graças a figura meiga e indefesa de Linda Hamilton, que, aos poucos, torna-se uma guerreira. Foi assim com a própria
Sigourney Weaver, em Aliens – O Resgate, assim como Mary Elizabeth Mastrantonio, em O Segredo do Abismo, novamente Linda Hamilton, em O Exterminador do Futuro 2, Jamie Lee Curtis, em True Lies, e Kate Winslet, em Titanic. Como seus filmes, Cameron é um cara durão. Mas um olhar mais atento também percebe uma emoção genuína em seus trabalhos. Algo representado pela mulher em sua filmografia. Aliás, James Cameron viria a ganhar o Oscar por Titanic. Seria uma prova de que os brutos também amam?O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984)
Roteiro: James Cameron e Gale Ann Hurd
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn, Paul Winfield e Lance Henriksen






E ele conseguiu fazer melhor ainda no segundo, incrível. E tudo está ligado: http://noreset.files.wordpress.com/2008/12/solid_snake_metal_gear_-_kyle_reese_terminator.jpg
o/
Volta, Cameron, pelo amor de Deus!, volta. Estragaram a sua criação.
Confesso que conferi o primeiro "Terminator" há tanto tempo que não me recordo de muitos detalhes, mas sem dúvida é um clássico e deu origem a um dos meus filmes favoritos em todos os tempos (isso mesmo, a continuação). Nada ansioso para ver a nova versão…
Eu vi esse filme há tanto tempo que nem me lembro mais dele. Foi ótimo ler sobre ele aqui!
Beijos!
Um filme perfeito … algo que pode passar anos e anos … sempre será tao eletrizante quanto foi pela primeira vez …
E essa trilha de Brad Fidel é de gelar espinhas …
E sim, achei legal o 4 …
E eu que não acreditei na frase, I Will be back!
Preciso rever todos, mas lembro que adorei os dois primeiros. Principalmente o segundo, que é muito inventivo.
É entretenimento de primeira classe.
Ciao!
Um clássico mesmo. E a continuação é ainda melhor.
Gostei também do filme dirigido por McG, mas não se pode comparar com esses dois.
Valeu, amigos!
Acho que James Cameron deveria voltar ao passado para exterminar McG e Jonathan Mostow, além de todos os nomes responsáveis pelas continuações de T2.
Abs!
Sabe o que foi mais estranho?
Reassisti as dois primeiros filmes antes de fazer a cobertura de T4. E, morando em LA, tive nova percepção do filme, pois sabia onde as cenas haviam sido filmadas, reconheci locais e imaginei o estrago feito pela passagem do Terminator.
Como você falou, um exercício narrativo magnífico do Cameron, que me deixou tarado por saber mais sobre a guerra contra as máquinas e que o McG teve medo de assumir.
Belo texto, como sempre O!
Lê o meu do JB lá e me fala depois. :p
Abs,
Barreto
http://www.soshollywood.com
Valeu, Fabius!
Mas o filme novo é uma bosta, mermão!
Abs!
Octavius, eu tava falando de nova percecpção do primeiro filme.
T4 decepcionou sim. Aliás, vc só leu a matéria mais "geral". A crítica tá aqui, ó: http://soshollywood.wordpress.com/2009/06/05/terminator-salvation/
A matéria do JB teve que ser mais leve. hehe.
Abs,
Fábio, que nào acredita mais numa palavra que o McG disser.
FABIO, agora sim. Li sua crítica. E não deixe mais o McG te enganar.