setembro 3rd, 2009

Loucos pela Pixar, Uni-vos!

O papel da Pixar Animation Studios no desenvolvimento da cultura e da educação do aspirante à cinéfilo
  
Monstros SA 
Todo mundo erra: o pai, a mãe, o irmão, a irmã, o namorado, a namorada, os avós, o cachorro, o Rubinho Barrichello, os amigos, o entregador de pizza, o time de futebol, os tios, o vizinho, os primos, o Sarney, o árbitro, o bandeirinha, o chefe, o assistente, o garçom, as contas (luz, água, telefone, gás), o Christian Bale e tantos outros. Até Steven Spielberg, Woody Allen, Garrincha, Zico, Pelé, Maradona, Zidane e John Lennon já erraram. TODOS! Menos a Pixar.

Com a equipe do John Lasseter, cabeça da Pixar Animation Studios, eu abuso do direito de ser parcial e irracional. Até porque Toy Story (1995), Vida de Inseto (1998), Toy Story 2 (1999), Monstros S.A. (2001), Procurando Nemo (2003), Os Incríveis (2004), Carros (2006), Ratatouille (2007) e WALL-E (2008) me deixaram com a plena consciência de ser tendencioso. Meu filho aprenderia muito mais com esses filmes do que indo à escola.

Ora, ele aprenderia a amar o cinema, afinal cada filme da Pixar evolui em técnica, mas remete aos grandes clássicos da sétima arte em referências e, principalmente, influências narrativas. É uma aula de como se deve assimilar história, arte, cultura. A Pixar quer fazer o público atual entender ou lembrar o que realmente significa o cinema. Veja pelo paradoxo de WALL-E, que joga sua história e seus truques visuais e sonoros no futuro, mas que carrega uma alma Chapliniana num robozinho. Meu filho também aprenderia a ser humilde, já que não importa se o filme anterior do estúdio foi um grande sucesso de público e crítica. O próximo passo da Pixar consiste na superação daquilo que já foi feito pelas mãos e mentes de seus artistas.


Ok, você vai lembrar que Toy Story 3 está a caminho, mas não acuse a Pixar de pensar somente na grana. Bombardeados por Michael Bays e Roland Emmerichs que só sabem repetir seus papos chatos e barulhentos, nós ficamos mesmo acostumados a cornetar cada projeto novo. A culpa não é nossa. É de Hollywood. A jovem mídia atual viciada na ditadura do pop também tem culpa no cartório. Esse pessoal não aguenta ver uma produção voltada para o público chegando com um selo estampado de uma marca como a Disney gritando aos quatro cantos do mundo uma historinha completamente nova. Nada que tenha vindo de livros, quadrinhos, séries ou desenhos da TV merece a confiança desses mal intencionados disseminadores da palavra.São os mesmo seres que julgam um filme por um trailer ou que chamam uma ficção científica com um baita potencial de “mistura de Thundercats com Dança Com Lobos”. Essa gente desdenha daquele trailer que traz um ratinho falante cozinhando em Paris e avacalha um robozinho que tem cara de Johnny Five, antes mesmo de sua chegada aos cinemas. Ou dizem que a aventura de um velhinho de bengala numa casa que voa com a ajuda de balões é uma senhora bobagem. São falsos intelectuais que preferem julgar um filme por seu material original (como um livro ou uma HQ) e não de acordo com seus reais conhecimentos em cinema.

São opiniões do tipo “não comi e não gostei porque eu queria ir em outro restaurante”, que fazem o lixo continuar girando e se espalhando por Hollywood, que ouve (e sabe) o que seu público quer. Você vai acreditar nessas pessoas? Ou vai aproveitar obras de artistas que pensam em ideias e histórias inéditas? Claro, eles podem não acertar sempre, afinal são humanos. Mas se tem alguém fazendo algo de bom pelo cinema, certamente não é aquele cara procurando no fundo do armário por qualquer gibi mofado capaz de inspirar um filme, que provavelmente cairá nas mãos de um diretor Zé Ninguém, só para que a produção veja a luz do dia e fature alto nas bilheterias.

Gosto não se discute, mas desconfie daqueles que tentam induzi-lo ao coma cultural. Experimente antes de dizer que não gostou da comida. Nos dias de hoje, precisamos valorizar quem estimula a qualidade (e não quantidade) na cultura. 

Com a Pixar, você pode até preferir Procurando Nemo a Toy Story. Ratatouille a WALL-E. Tanto faz. É pessoal. Agora, admita: quando foi que a Pixar fez um filme ruim? Suas produções podem trocar de diretores, mas o padrão permanece e ainda conseguem quebrar barreiras rumo ao futuro da sétima arte, embora jamais esqueçam dos principais (e básicos) elementos que sempre levaram o grande público aos cinemas desde E o Vento Levou. Hoje, ainda vemos filmes por causa dos artistas. Ainda saímos do aconchego de nossas casas para ver Steven Spielberg, Martin Scorsese, Woody Allen, Quentin Tarantino, Brian De Palma e… a Pixar.

Os criadores de Toy Story & Cia. são fãs de Mickey Mouse e Branca de Neve, mas andam formando jovens seguidores da criação dos irmãos Lumiére, que por causa desses títulos, resolvem pesquisar, conhecer os filmes que incentivaram a Pixar a chegar até aqui.

Transformers 2
e G.I.Joe são para aqueles que usam o cinema para brincar. WALL-E e Ratatouille são para os filhos daqueles que aprenderam a amar os filmes graças aos maiores diretores que já pisaram neste planeta. Então, loucos pela Pixar, uni-vos! Chegou a hora de passar adiante o que realmente vale a pena ser ensinado.

“Sem a cultura e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.” (Albert Camus)

Que Up não me desaponte depois dessa…

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