O Desinformante

Levante a mão quem jamais contou uma mentira na vida! Ninguém? Ok, tudo bem. Olha, não tenha vergonha, afinal somos normais. Agora, se alguém aí mente o tempo todo e, pior do que isso, acredita na própria lorota… Sinceramente, é melhor procurar ajuda profissional o quanto antes. Ou então vai acabar como Mark Whitacre, ex-executivo de uma grande empresa de produtos alimentícios, que levou o FBI, seus colegas de trabalho, a imprensa, a própria mulher e a si mesmo em uma jornada compulsiva de mentiras que durou mais de uma década. Parece (desculpe-me pelo trocadilho) mentira, mas a história de O Desinformante (The Informant!, 2009) realmente aconteceu.
O filme começa no início dos anos 90 e vai até meados da primeira década deste milênio. Mark Whitacre (Matt Damon, excelente) é o vice-presidente da ADM, empresa responsável por colocar em diversos alimentos aquele ingrediente que faz toda a diferença – mesmo que, segundo ele, quase tudo seja derivado do milho. Sua rotina casa-fábrica-escritório é afetada quando um executivo japonês alega saber da existência de um sabotador na empresa, que funcionaria como uma fixadora de preços de seus produtos. E ele ameaça pôr a boca no trombone. O FBI entra na jogada e, apoiado pela esposa (Melanie Lynskey, de Two and a Half Men), Mark resolve contar a verdade aos agentes.
Até aqui, O Desinformante lembra tramas de filmes como A Firma e O Informante, mas isso é apenas o começo. O diretor Steven Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns, inspirado pelo livro de Kurt Eichenwald, estão mais interessados no estudo do fascinante personagem que é Mark Whitacre, que se embola nas próprias histórias que ele mesmo acredita. Sua rede de mentiras vai longe demais e quando todo mundo descobre o tamanho do problema que se passa em sua cabeça oca, só resta ao grande mentiroso do filme aceitar que precisa de ajuda. No fundo, O Desinformante é sobre um homem muito doente. Parece triste, mas não é.
Steven Soderbergh quer fazer a plateia rir para não chorar e enche seu filme de narrações em off de Mark Whitacre, dialogando com seu próprio cérebro, que o alimenta de mentiras. Soderbergh reforça essa intenção estranhamente cômica com o uso de uma trilha sonora engraçadinha – um dos pontos antos do filme – que parece saída de uma sitcom dos primórdios da TV americana. Composta por Marvin Hamlisch, a trilha de O Desinformante é uma das melhores do ano. O que também tira a seriedade da trama é a ambientação exagerada de uma produção com cara de que foi feita na Hollywood dos anos 70 – preste atenção, principalmente, na abertura do filme.
Tudo o que foi dito no parágrafo acima funcionaria às mil maravilhas se Soderbergh tivesse uma assinatura. Perdido entre projetos experimentais, como Che, e superproduções, como Onze Homens e um Segredo, o diretor acha que pode pular de uma história para outra e de um gênero para outro somente para agradar ao próprio ego. Relapso, ele esquece que tem compromisso com a plateia que paga caro para ir ao cinema. Longe de ser um gênio, Soderbergh sabe filmar muito bem, mas precisa decidir o que quer da vida. Ou então, muita gente vai olhar para O Desinformante e achar que é um filme fraco dos Irmãos Coen. Por fora, o longa se aproxima do estilo dos talentosos cineastas de Fargo, Arizona Nunca Mais e Barton Fink, que sabem lidar perfeitamente com o drama e a comédia. Mas por dentro, O Desinformante não passa de uma produção sem identidade, feita por um diretor que brinca de fazer cinema somente para testar seus limites.
Ainda bem, pelo menos, que O Desinformante tem alma: Matt Damon. O ator, que mudou fisicamente para o papel, encontrou o tom certo do personagem e leva o filme nas costas com extrema facilidade numa atuação que anda na linha tênua entre o cômico e o trágico. É por causa dele que a crítica merece mais uma estrela.
O filme também vale pela grande quantidade de atores de TV dando as caras. Temos Scott Bakula, de Enterprise, Scott Adsit, de 30 Rock, Tony Hale, de Arrested Development, a já citada Melanie Lynskey, entre outros. E temos o prazer de rever o sumido Thomas F. Wilson, o vilão Biff Tannen, da trilogia De Volta Para o Futuro (quando Robert Zemeckis era bom).
O Desinformante (The Informant!, 2009)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns (Baseado no livro de Kurt Eichenwald)
Elenco: Matt Damon, Scott Bakula, Joel McHale, Melanie Lynskey, Tony Hale e Thomas F. Wilson



Perfeito


Ainda não vi, mas Sodebergh sempre vale uma conferida né? Tanto que encarei até CHE.
Parece valer mesmo pelo Matt Damon. Antes pensei que era um dramalhão… rsrsrs.
Beijos!
Meu receio em relação a este filme é que tenho medo dele ser cópia demais dos filmes dos Irmãos Coen e eu, geralmente, não gosto muito desse tipo de obra. Mas, quero ver “O Desinformante’ só por causa do Matt Damon.
Beijos!
Steven Soderbergh é conhecido por realizar filmes sem muita alma, mas ainda tenho alguma esperança para esse “Desinformante” – talvez o ótimo desempenho de Damon seja suficiente.
BRUNO
Abs!
Eu diria que Matt Damon vale uma conferida
MAYARA
Vale por ele. E está longe de ser um dramalhão… Bjs!
KAMILA
Bom, como grande cinéfila, acho que você deve dar uma chance ao Matt Damon. Bjs!
VINICIUS
Exato! E a alma deste filme se chama Matt Damon! Abs!
Detestei e desisto definitivamente de Soderbergh!