Salve Geral

No sistema atual, ninguém é de ninguém. E não existe essa de certo ou errado. O que impera neste mundo dos espertos é a lei do mais forte. Pelo menos é o que acha o diretor Sérgio Rezende em Salve Geral (2009), produção nacional que tenta vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Neste contexto, Rezende fez um filme sobre o descontrole do indivíduo e, consequentemente, da sociedade. Até que começa interessante com uma abordagem, que não deixa de ser corajosa, de São Paulo (ou o Brasil) nas mãos dos bandidos – aqueles que ficam atrás das grades, claro. Se bem que, em Salve Geral, há um interminável entra e sai de policiais, visitantes e detentos do presídio, que a cidade inteira acaba se tornando uma imensa prisão. E Salve Geral não é exatamente sobre os ataques e as ameaças do PCC (Primeiro Comando da Capital), em maio de 2006, na cidade de São Paulo. Esse é o pano de fundo para a luta de uma mãe, Lúcia (Andrea Beltrão), para tirar seu filho da cadeia.
Ok, agora é a minha vez: O diretor, no entanto, não quis seguir a linha dos atuais filmes catástrofes de Hollywood, que costumam concentrar a narrativa em pais e filhos tentando sobreviver a ataques alienígenas ou às revoltas das forças da natureza. Pode cair o mundo, mas a câmera segue a família. Por mais que isso tenha caído no clichê, trata-se de um recurso para gerar um link emocional com o público e (por que não?) com a Academia, afinal é o que todos esperam de Salve Geral. Acho que Sérgio Rezende não deveria ter tentado analisar a situação como um todo, dando voz a diversos personagens em diferentes cenários. É como se em Guerra dos Mundos, Spielberg tivesse mostrado o lado dos alienígenas, assim como dos parentes e vários vizinhos de Tom Cruise e Dakota Fanning.
Cara, isso é só um exemplo para destacar um artifício narrativo. Sei muito bem que Salve Geral e Guerra dos Mundos pertencem a gêneros distintos. Mas se o diretor seguisse apenas o ponto de vista de sua protagonista, Salve Geral ainda falaria da interligação da sujeira entre poder e corrupção – sem isentar o povo de culpa. E teria saído mais emocionante. Infelizmente, Rezende cisca em vários terrenos possíveis para se avaliar o assunto e acaba não se aprofundando em nenhum deles.

Talvez o diretor esteja mais preocupado com propaganda política às vésperas das eleições presidenciais no Brasil, afinal seu filme é uma arma e tanto para alfinetar o principal adversário do atual governo. Neste caso, independentemente de minhas orientações políticas, Salve Geral é eficiente, mas desinteressante como cinema. Aliás, Rezende ainda falha de forma tosca em algumas cenas, em que a música anuncia ao público o que virá a seguir. Talvez ele precise abandonar um pouco a leitura das notícias populares (e dos livros de História, afinal ele dirigiu Lamarca e Canudos) para retornar ao primário das aulas de cinema.
Ao menos, temos Andrea Beltrão, que é uma grande atriz. Se o público não se reconhece 100% em sua personagem, isso é culpa de Sérgio Rezende. Quem é que consegue engolir a paixão nada convincente de Lúcia por um detento? Será que o diretor quer relembrar a ex-garotinha do Balão Mágico? Ou que a gente tenha simpatia por ex-Polegar? Ah, tenha dó.
Salve Geral (2009)
Direção: Sérgio Rezende
Roteiro: Sérgio Rezende e Patrícia Andrade
Elenco: Andrea Beltrão, Lee Thalor, Denise Weinberg e Bruno Perillo



Perfeito

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